Sazonalidade. Esta é a causa de alguns aumentos de preços registrados pelo IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) nas últimas semanas. Significa que o fato de diversos produtos estarem ficando mais caros, tanto no grupo dos alimentos quanto em outros, tem relação com características específicas do período do ano que atravessamos.
Quem explica é o economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas), André Braz, considerando, inicialmente, os alimentos. "O grupo dos alimentos tem apresentado tendência de alta porque existem itens de peso com aumento de preço". Arroz, feijão, carne bovina e laticínios entram na lista dos responsáveis por puxar os preços em geral para cima.
Atualmente a produção de vários itens atravessa período de entressafra, no qual há menor disponibilidade, por exemplo, de gado para corte, fazendo com que a carne fique mais cara. A entressafra também se estende para os grãos, como o arroz e o feijão. Como o período se caracteriza pela diminuição da oferta desses alimentos, logo, seu preço também aumenta. Com os laticínios o princípio é o mesmo.
Novidades puxam preço
A época do ano também explica o encarecimento de produtos como os de vestuário, que na última medição do IPC-S registraram aumento na taxa de variação, com destaque para as roupas (1,12% para 1,31%). As roupas também foram destaque de aumento na variação nas capitais, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro.
André Braz lembra que grande parte desse aumento de preços deve-se à mudança de estação, o que significa a saída do período de promoções. "Além disso, com a entrada de nova estação, vêm também as novas coleções de roupas, o que acaba impactando nos preços". E, segundo o economista, a tendência é que os preços continuem subindo, principalmente por causa das festas de fim de ano, nas quais as roupas entram frequentemente na lista de presentes.
Alta temporada
Outra alta no IPC-S, na medição de 31 de outubro, foi o grupo educação, leitura e recreação, com destaque de aumento de preços para os hotéis. A explicação? Sazonalidade, novamente. "Estamos saindo do período de baixa temporada e em alguns lugares, sobretudo no Nordeste, não vai mais haver queda de preços", observa Braz.
"Muitos turistas antecipam a contratação de excursões, tours, a compra de passagens aéreas, as reservas em hotéis, para não pagarem preços abusivos ou correrem o risco de ficarem sem vaga", lembra Braz. E essa corrida para reservar seu lugar ao sol, literalmente, acaba puxando os preços desses serviços para o alto. "E quanto mais próximo de Janeiro, maiores as taxas serão", conclui.