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Apontador certeiropor Andréia SeganfredoEstudante de engenharia criou site de localização pioneiro no País, agora prestes a estender os serviços para a América Latina Quando aceitou o convite para participar do projeto de um site de mapas e rotas na internet, Rafael Siqueira, hoje diretor de tecnologia (CTO) do Apontador MapLink, tinha pouco mais de 20 anos de idade e estudava engenharia mecatrônica na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Com o mercado de internet aquecido, o estágio em uma grande empresa de engenharia e a faculdade foram deixados para trás, e o trabalho temporário na área de geoprocessamento lhe deu experiência para tocar o projeto ao lado de outros três estudantes da USP. O lançamento do produto, o site Apontador, em agosto de 2000, seria uma inovação no mercado virtual brasileiro, repleta de desafios e oportunidades, que Siqueira soube aproveitar. “Naquela época, tinha o sonho dos bilionários e milionários americanos na internet e você via nas faculdades de engenharia grupos de estudantes discutindo algum produto para fazer no mundo on-line”, conta Siqueira. Por intermédio de um colega de aula que trabalhava no setor financeiro, seu nome foi indicado a um grupo de investidores interessados no segmento de mapas e rotas virtuais. Siqueira desenvolvia um projeto semelhante para a América Online (AOL), trabalhando como temporário em uma empresa voltada para produtos na web. Assim que decidiu ingressar na equipe do Apontador, trancou a faculdade e saiu do projeto da AOL. “Uma das cláusulas do contrato era dedicação total ao projeto nos dois primeiros anos e, realmente, eu não tinha muito tempo”, diz. O site foi desenvolvido em apenas dois meses, com os estudantes praticamente acampados no escritório dos investidores. “Eu dormia de duas a três horas por dia, num beliche montado no andar de cima do escritório”, lembra Siqueira, que voltava para casa uma vez por semana para tomar banho e trocar de roupa. Enquanto ele tinha conhecimento técnico para desenvolver o Apontador, dois colegas sabiam programar banco de dados e outro conhecia regras e planos de negócio. “O sucesso foi resultado da colaboração de todos. Eu jamais conseguiria levar tudo sozinho“, conta Siqueira, único do grupo a permanecer na empresa. No tempo em que desenvolviam o site, Siqueira e seus colegas também contaram com a ajuda de profissionais já atuantes no mercado, como Ivan Mudri, hoje administrador de banco de dados do Apontador MapLink, que ajudou na estruturação da base de dados do que viria a ser o primeiro site de localização do País. “Era uma garotada da USP, empenhada em um projeto, num ritmo extenuante, com muita vontade de vencer”, conta ele. Um pouco mais velho que o resto do grupo, Mudri não chegou a dividir o espaço de trabalho, mas sempre teve suas opiniões levadas em consideração. “Eles sempre me escutaram, numa época em que o espírito da web era extremamente jovem. Hoje é um pouco mais maduro”, avalia. Nascido em 2000, o Apontador tinha na mira o público jovem e para conquistá-lo apostou em inovações de arte e design. “A gente se espelhava muito em sites coreanos, que usavam várias cores como laranja e azul”, conta Siqueira. O visual do site contrastava com grandes portais do País que utilizavam apenas uma cor. “O nosso era bem colorido. Foi um choque para a internet brasileira.” A equipe também apostou na elaboração de ícones e desenhos na página, sempre com foco no público pretendido. Mas se o Apontador contava com uma embalagem bem definida, o problema começava a aparecer no conteúdo. Antes mesmo de fazer o layout do site, a preocupação de Siqueira foi licenciar o conteúdo de mapas, de um provedor diferente do utilizado no projeto da AOL, e também a tecnologia utilizada para fazer o cálculo de rotas e a renderização das imagens. No entanto, o material fornecido por empresas globais trazia geralmente dados apenas das maiores cidades do País e precisava ser verificado. “O que geralmente se fazia era pegar pedaços de mapas de vários fornecedores e andar nas avenidas principais para conferir e melhorar essas imagens”, diz Siqueira. Esse modelo, baseado em algoritmos matemáticos, não apresentava restrições de direção, como conversões proibidas em determinado local da via. Disposto a melhorar a qualidade do serviço e de olho no filão aberto pelo crescente mundo móbile, Siqueira apresentou um projeto ousado e de alto custo para os investidores: fazer um banco próprio dos mapas, com a ajuda de uma empresa especializada em levantamento de ruas. Apenas quatro meses depois do lançamento do Apontador, mais de 500 pessoas percorreram o Brasil para levantar, quadra a quadra, as informações de ruas e direções dos principais centros metropolitanos. O trabalho, inédito no Brasil, durou cerca de dois anos e mapeou primeiramente 45 cidades, cujos mapas eram incorporados gradualmente ao banco de dados. “Essa iniciativa foi um diferencial da empresa ante qualquer competidor nos anos a seguir”, avalia Siqueira. Mais do que isso, garantiu parcerias com grandes companhias e concorrentes internacionais, como a Webraska e o Google, e conquistou clientes, como a AOL – o projeto que Siqueira havia abandonado no início da carreira agora ingressava no mundo virtual graças a ele. No final de 2001, a formação de uma joint venture com a empresa francesa Webraska, especializada em serviços de localização, tanto para aplicações corporativas na web como para celulares, possibilitou ao Apontador adquirir tecnologia avançada. A Webraska queria vender suas aplicações no Brasil, mas não dispunha de bons mapas para isso e, ao mesmo tempo, tinha plataforma tecnológica rápida e fácil de instalar. Enquanto o Apontador possibilitou o acesso ao seu banco de dados, ganhou com a redução de servidores e integração de rotas entre estados. “A gente tinha 11 servidores e cada um respondia por uma região. Quando trocamos pela Webraska, colocamos o Brasil todo numa máquina e mais três para atender todo o tráfego”, conta Siqueira. Equilíbrio financeiro Com tecnologia e banco de dados próprios, a empresa pôde apostar em licenciamento de aplicações e desenvolvimento de portais e sites de empresas. Aliás, foi o incremento de produtos para o mercado corporativo o que garantiu o equilíbrio financeiro do Apontador em 2004, que até então operava no vermelho. “Até hoje a sobrevivência da empresa vem desse mercado. O site se mantém com a publicidade, mas não rodaria a empresa”, explica Siqueira. Essa receita também é aplicada em novos produtos, muitos deles voltados para o consumidor final da internet. “O site tem mais uma visão consumer. Mas, ao mesmo tempo, licenciamos nossa tecnologia e desenvolvemos ferramentas para terceiros.” O leque de clientes corporativos do Apontador é bem diversificado. Além das operadoras de telefonia celular, com oferecimento de serviços de rotas, localização e rastreamento de pessoas, empresas de diversos setores podem se aproveitar dessas facilidades e customizá-las às suas necessidades: transportadoras podem saber quais os custos e localização de pedágio e de postos de combustível antes mesmo de o caminhão deixar a garagem, e redes de banco podem fornecer a localização de todas suas agências na internet. Ainda, a plataforma tecnológica é disponibilizada em portais, onde são colocados mapas de rotas. “Pode ser uma página amarela querendo mostrar os anunciantes ou um grande portal da Microsoft, que mostra pontos de usuários”, explica Siqueira. Ter como clientes mais de 150 portais e empresas que fornecem pontos de localização é uma forma de o Apontador incrementar os já cadastrados, que hoje chegam a 10 milhões. “A gente traz tudo do mundo real para o virtual. O único jeito de fazer isso é se colocando sobre o mapa e escrevendo sobre ele”, diz Siqueira. Internautas podem cadastrar novos endereços, ajudando a aumentar ainda mais esses números, o que contribuiu para o aumento da verba publicitária. “Nós temos os pontos mais acessados, mas não desprezamos uma rodoviária ou outro menos acessado. Dependendo da categoria, tem um anunciante específico para aquele tipo de negócio”, explica. A expectativa de Siqueira tem fundamento: entre setembro de 2007 e setembro deste ano, o movimento de usuários no site Apontador cresceu 1.000%. As visitas ao Apontador, no entanto, já foram bem mais raras. Ainda em 2004, o acesso ao serviço de rotas na internet tornou-se acessível apenas por assinatura, em decisão conjunta com o principal concorrente da empresa, o MapLink. “Nos unimos à concorrência e decidimos fechar os sites para garantir a nossa sobrevivência”, diz Siqueira. Se o cenário em que fora criado o Apontador era de otimismo em relação à internet, a empresa teve que se adequar ao estouro da bolha, em meados de 2000. “A gente segurou os custos de contratação e investiu muito mais em hardware.” Divergências entre investidores e os colegas que haviam iniciado o projeto com Siqueira fizeram com que eles saíssem da operação em 2002 e se desligassem da empresa em 2006 – quando o lucro das operações possibilitou a compra das suas ações e da Webraska. À reabertura do site, em 2006, seguiu-se um período de inovações constantes na empresa. “Começamos a ir a eventos lá fora, acompanhar as tendências. Tem que entender onde os outros querem chegar, para estruturar o negócio e tentar chegar ao mesmo tempo”, diz Siqueira. Não à toa, o Apontador tornou-se o único parceiro de conteúdo, desenvolvimento e licenciamento de tecnologia do Google na área de mapas e está prestes a se lançar no mercado latino-americano, após ter sido anunciada a fusão com o seu maior concorrente, o MapLink, em junho deste ano. O esforço de Siqueira à frente da empresa, desde os primeiros anos de sua fundação, tem reconhecimento garantido dos colegas. “Ele aprendeu a ser um líder. Acompanha a evolução mundial e cria produtos inovadores”, afirma Mudri. De mapa em mapa, Siqueira deu a direção certa ao Apontador. Rafael Siqueira Rafael Siqueira - Apontador MapLink 2005 - Lançamento das primeiras aplicações para celular, os LBS, com Vivo e Nextel Linha Direta: Rafael Siqueira: (11) 3845-0845 |
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