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24/03/2008 12:29
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Caminho árduo

por Marco Britto

O empresário destaca a participação no Curso do Sebrae como fator decisivo para a empresa acertar o foco e adquirir estabilidade

Foto: Casa da Photo | O uso de tinta UV, é uma das inovações da PetinkUma nova etapa na vida da Petink Serigrafia, que em 2009 completa 20 anos, se descortina. Até 2007, a característica da empresa paulistana era garantir uma boa impressão e agilidade na entrega dos pedidos – um serviço de caráter terceirizado, sem envolver qualquer etapa de criação, desenvolvido a partir de peças publicitárias já prontas. Neste ano, essa relação com o mercado será alterada com a formulação de soluções próprias para displays (expositores de ponto-de-venda). Lourival Mariano, sócio-proprietário, encara a mudança como uma evolução, de olho no futuro de seu segmento de atuação. “Os displays servem para agregar valor ao produto na exposição. Hoje, eu faço banner e faixas, mas não sei até quando essa mídia deve ser utilizada. Com o display, eu posso me adaptar a novos formatos, usando telas de LCD e futuramente até movimentos, por meio de robótica”, prevê.

O modelo próprio de display vai permitir à Petink negociar seu produto num preço baixo, devido à produção em larga escala, porém comercializado de acordo com a necessidade de cada cliente. A estrutura pode ser adaptada, aproveitando o mesmo formato para identidades visuais diferentes. O primeiro projeto servirá para o apoio de garrafas de café e copos, substituindo a mesa ou bandeja. No mesmo móvel, será possível ter o serviço de cafezinho, lixeira, e ainda revistas e jornais dispostos de maneira ordenada. Os primeiros clientes devem ser locais com salas de espera – salões de beleza e consultórios médicos, por exemplo.

Para bancar a operação, a empresa está mudando de galpão. A nova sede, com 2 mil metros quadrados (quatro vezes maior que a atual), vai abrigar novas impressoras e as máquinas de corte que vão moldar os displays fabricados pela Petink. De acordo com Mariano, o investimento total em obras e equipamentos foi de R$ 270 mil. “Estou alcançando um tamanho de empresa que me deixa satisfeito”, revela. Uma das estratégias para esta nova fase é o estabelecimento de uma equipe de vendas para prospectar clientes em São Paulo, inicialmente. Já neste mês, a primeira dupla de vendedores entra em ação. Em cinco anos, conforme o planejamento de Lourival, o grupo contará com aproximadamente cem profissionais.

Foto: Casa da Photo | A história da Petink a partir de 2000, no entanto, apresenta diferenças significativas em relação aos seus primeiros dez anos de vida. Quando começou o negócio de impressão, em 1989 – na época, uma legítima empresa de garagem –, a convite de um vizinho serígrafo, Mariano fazia o layout para pequenas peças, geralmente logotipos para comerciantes da região, que desejavam imprimir pequenos adesivos ou chaveiros para distribuição como brindes. Além de desenhar, o jovem, então com 22 anos, vendia os produtos que fazia no trem, a caminho da faculdade de Engenharia Mecânica na Universidade de Mogi das Cruzes. Foram nove meses neste ritmo árduo, até que uma surpresa não muito agradável acabou retirando o empreendimento da informalidade: Mariano foi receber o pagamento por um serviço já entregue e, na hora de cobrar, um detalhe o deixou numa encruzilhada: só receberia os honorários se apresentasse nota fiscal. Não encontrando outro caminho, foi a hora de oficializar a pequena empresa. Em dezembro daquele mesmo ano, surgia oficialmente a Petink. O irmão Arnaldo entrou com o capital inicial para estruturar minimamente a empresa. Após cinco anos, o vizinho deixou a sociedade, e a administração ficou por conta dos dois irmãos.

“O começo foi muito difícil. Larguei um emprego em que ganhava bem, e sem experiência em administração fiz muita coisa errada e vivi sem dinheiro por um bom tempo.” Nos primeiros dez anos, a empresa funcionou de maneira desorganizada, sem planejamento, sobrevivendo da produção de pequenas peças para o comércio. Sem conhecer as ferramentas para administrar corretamente a empresa, Mariano não via uma saída para deslanchar seu empreendimento em direção à rentabilidade. “Por duas vezes, tentei sair da minha garagem e alugar um espaço maior, mas não dava certo, e acabava tendo que voltar”, relata.

Para pôr a Petink no rumo certo, Mariano investiu em capacitação empresarial. Depois de fazer o Empretec, curso de Empreendedorismo promovido pelo Sebrae, em 1998, Mariano pôs em prática uma fórmula que traria o tão desejado crescimento para a sua empresa. Reorganizando a estratégia de mercado e desenvolvendo planos de ação, o empresário impôs eficiência aos negócios e começou a contratar funcionários. Focou o trabalho em ponto-de-venda, que gera demanda para faixas, banners, adesivos e displays em grande formato. Com um projeto de negócios na mão, conseguiu um financiamento do Proger (Programa de Geração de Emprego e Renda), do Ministério do Trabalho, e comprou as máquinas para iniciar a produção de peças maiores.

Serviço especializado

“Eu precisava me especializar. Fazia muito formato pequeno e assim competia com as pequenas empresas, de fundo de quintal. Meu orçamento sempre seria mais caro que o dessas empresas”, comenta Mariano. Sabendo que rumo tomar, investir numa estrutura maior e numa equipe qualificada foi uma atitude eficaz para recolocar a empresa dentro de seu mercado. Oferecendo um serviço especializado, a Petink se estabeleceu num patamar de qualidade de impressão mais sofisticada, para competir com empresas de mesmo porte. Hoje, é possível encontrar o trabalho da serigráfica em anúncios da Coca-Cola colados em freezers e em inúmeros displays de ponto-de-venda, anunciando televisores, assinaturas de jornais, protetores solares e muitos outros produtos.

Aprendida a lição, o empresário foi buscar as últimas novidades tecnológicas de seu ramo em fábricas na Espanha, Suíça e China. Atualmente, uma das inovações da Petink é o uso de tinta UV. Após a impressão, a exposição aos raios ultravioleta permite uma secagem instantânea, o que não acontece quando se usa tinta à base de solventes. Outro diferencial é a qualidade da impressão, que se mantém fiel não importa quantas cópias sejam impressas a partir da mesma matriz. “Isso proporciona uma produção mais ágil, qualidade da primeira à última impressão e um produto com vida útil bem mais longa”, comenta. A tinta UV não sai com álcool ou alvejantes, o que facilita a limpeza, como ocorre freqüentemente no caso de bares e restaurantes, por exemplo.

Após o Empretec, a maneira de se relacionar com os funcionários também mudou. “Eu tinha muitas idéias e não realizava nenhuma.” Incluindo reuniões com os empregados na agenda corporativa, Mariano passou a escutar as opiniões de seu time sobre algumas decisões da empresa, mantendo a equipe integrada e consciente de todo o processo que envolve o trabalho da Petink. O destino de parte da receita da serigráfica (0,5% das vendas) é definido pelos trabalhadores. Com esse dinheiro, já foram confeccionados uniformes escolhidos pelos funcionários, e uma professora de informática foi contratada para dar lições de Windows e internet para todos. “Mais da metade deles nunca havia ligado o computador”, conta.

Baseado no crescimento contínuo da empresa, com taxa anual acima dos 40% desde 2000, é possível mensurar a dedicação do administrador, que hoje lembra dos tempos de garagem com uma sensação de perseverança, superação. Ele iniciou sua carreira profissional ainda garoto, trabalhando como office-boy, aos 14 anos, na Companhia Municipal de Transporte Coletivo, em São Paulo. Após dois anos de serviço e um curso de desenho técnico adicionado ao currículo, chegou a desenhista mecânico da CMTC, projetando peças para a reposição nos veículos da frota, onde permaneceu até ceder ao desejo de trabalhar por conta própria. “Valeu a pena, mas não foi nada fácil.”

Depois da mudança para o espaço físico maior, a Petink alcançará um porte satisfatório, segundo Mariano, comportando até 80 funcionários. Além das mudanças no empreendimento, o empresário pretende renovar também a sua rotina. Sem esconder um certo cansaço após ter superado vários degraus durante a ascensão profissional, Mariano planeja estabelecer um ritmo menos frenético em sua vida e aproveitar mais o fruto de seu trabalho. “Quero prezar mais a minha qualidade de vida a partir de agora, cuidar da minha família, equilibrar as coisas.”

LINHA DO TEMPO
Foto: Casa da Photo | Lourival Mariano - Petink Serigráfica

1967 - Nasce Lourival Mariano, no dia 3 de fevereiro, em São Paulo.

1987 - Aos 14 anos, Mariano consegue seu primeiro emprego, como office-boy da Companhia Municipal de Transporte Coletivo, em São Paulo.

1983 - Após um curso técnico de Desenho, Mariano alcança o posto de desenhista mecânico da empresa.

1989 - Mariano aceita o convite de um vizinho serigrafista e passa a desenhar logotipos para pequenas impressões, a maior parte material promocional de pequenos comércios. Em dezembro, é inaugurada oficialmente a Petink, tendo o irmão Arnaldo também como sócio. Após alguns meses sem grandes resultados, o vizinho abandona a sociedade, deixando a empresa sob o comando dos irmãos.

1998 - Após cursar o Empretec, curso de Empreendedorismo do Sebrae paulista, Mariano elabora um novo plano de negócios e passa a trabalhar apenas com grandes formatos, buscando um mercado mais adequado à sua estrutura. A equipe de funcionários é ampliada.

2008 - Bem-sucedido na impressão de grandes formatos, o empresário investe R$ 270 mil na nova sede, planejando entrar para a produção de displays. A nova estrutura vai comportar até 80 funcionários.

Lourival Mariano
Idade: 41 anos
Local de nascimento: São Paulo (SP)
Formação: Desenho Mecânico (Pro-Tec)
Empresa: Petink Serigráfica
Ramo de atuação: Serigrafia
Ano de fundação da empresa: 1989
Cidade-sede: São Paulo (SP)
Número de funcionários: 30
Faturamento: 3,9 milhões (2007)

LINHA DIRETA
Lourival Mariano:  (11) 6525-0366
www.petink.com.br


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