Perfil
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Caminho árduopor Marco BrittoO empresário destaca a participação no Curso do Sebrae como fator decisivo para a empresa acertar o foco e adquirir estabilidade
O modelo próprio de display vai permitir à Petink negociar seu produto num preço baixo, devido à produção em larga escala, porém comercializado de acordo com a necessidade de cada cliente. A estrutura pode ser adaptada, aproveitando o mesmo formato para identidades visuais diferentes. O primeiro projeto servirá para o apoio de garrafas de café e copos, substituindo a mesa ou bandeja. No mesmo móvel, será possível ter o serviço de cafezinho, lixeira, e ainda revistas e jornais dispostos de maneira ordenada. Os primeiros clientes devem ser locais com salas de espera – salões de beleza e consultórios médicos, por exemplo. Para bancar a operação, a empresa está mudando de galpão. A nova sede, com 2 mil metros quadrados (quatro vezes maior que a atual), vai abrigar novas impressoras e as máquinas de corte que vão moldar os displays fabricados pela Petink. De acordo com Mariano, o investimento total em obras e equipamentos foi de R$ 270 mil. “Estou alcançando um tamanho de empresa que me deixa satisfeito”, revela. Uma das estratégias para esta nova fase é o estabelecimento de uma equipe de vendas para prospectar clientes em São Paulo, inicialmente. Já neste mês, a primeira dupla de vendedores entra em ação. Em cinco anos, conforme o planejamento de Lourival, o grupo contará com aproximadamente cem profissionais.
“O começo foi muito difícil. Larguei um emprego em que ganhava bem, e sem experiência em administração fiz muita coisa errada e vivi sem dinheiro por um bom tempo.” Nos primeiros dez anos, a empresa funcionou de maneira desorganizada, sem planejamento, sobrevivendo da produção de pequenas peças para o comércio. Sem conhecer as ferramentas para administrar corretamente a empresa, Mariano não via uma saída para deslanchar seu empreendimento em direção à rentabilidade. “Por duas vezes, tentei sair da minha garagem e alugar um espaço maior, mas não dava certo, e acabava tendo que voltar”, relata. Para pôr a Petink no rumo certo, Mariano investiu em capacitação empresarial. Depois de fazer o Empretec, curso de Empreendedorismo promovido pelo Sebrae, em 1998, Mariano pôs em prática uma fórmula que traria o tão desejado crescimento para a sua empresa. Reorganizando a estratégia de mercado e desenvolvendo planos de ação, o empresário impôs eficiência aos negócios e começou a contratar funcionários. Focou o trabalho em ponto-de-venda, que gera demanda para faixas, banners, adesivos e displays em grande formato. Com um projeto de negócios na mão, conseguiu um financiamento do Proger (Programa de Geração de Emprego e Renda), do Ministério do Trabalho, e comprou as máquinas para iniciar a produção de peças maiores. Serviço especializado Aprendida a lição, o empresário foi buscar as últimas novidades tecnológicas de seu ramo em fábricas na Espanha, Suíça e China. Atualmente, uma das inovações da Petink é o uso de tinta UV. Após a impressão, a exposição aos raios ultravioleta permite uma secagem instantânea, o que não acontece quando se usa tinta à base de solventes. Outro diferencial é a qualidade da impressão, que se mantém fiel não importa quantas cópias sejam impressas a partir da mesma matriz. “Isso proporciona uma produção mais ágil, qualidade da primeira à última impressão e um produto com vida útil bem mais longa”, comenta. A tinta UV não sai com álcool ou alvejantes, o que facilita a limpeza, como ocorre freqüentemente no caso de bares e restaurantes, por exemplo. Após o Empretec, a maneira de se relacionar com os funcionários também mudou. “Eu tinha muitas idéias e não realizava nenhuma.” Incluindo reuniões com os empregados na agenda corporativa, Mariano passou a escutar as opiniões de seu time sobre algumas decisões da empresa, mantendo a equipe integrada e consciente de todo o processo que envolve o trabalho da Petink. O destino de parte da receita da serigráfica (0,5% das vendas) é definido pelos trabalhadores. Com esse dinheiro, já foram confeccionados uniformes escolhidos pelos funcionários, e uma professora de informática foi contratada para dar lições de Windows e internet para todos. “Mais da metade deles nunca havia ligado o computador”, conta. Baseado no crescimento contínuo da empresa, com taxa anual acima dos 40% desde 2000, é possível mensurar a dedicação do administrador, que hoje lembra dos tempos de garagem com uma sensação de perseverança, superação. Ele iniciou sua carreira profissional ainda garoto, trabalhando como office-boy, aos 14 anos, na Companhia Municipal de Transporte Coletivo, em São Paulo. Após dois anos de serviço e um curso de desenho técnico adicionado ao currículo, chegou a desenhista mecânico da CMTC, projetando peças para a reposição nos veículos da frota, onde permaneceu até ceder ao desejo de trabalhar por conta própria. “Valeu a pena, mas não foi nada fácil.” Depois da mudança para o espaço físico maior, a Petink alcançará um porte satisfatório, segundo Mariano, comportando até 80 funcionários. Além das mudanças no empreendimento, o empresário pretende renovar também a sua rotina. Sem esconder um certo cansaço após ter superado vários degraus durante a ascensão profissional, Mariano planeja estabelecer um ritmo menos frenético em sua vida e aproveitar mais o fruto de seu trabalho. “Quero prezar mais a minha qualidade de vida a partir de agora, cuidar da minha família, equilibrar as coisas.” LINHA DO TEMPO 1967 - Nasce Lourival Mariano, no dia 3 de fevereiro, em São Paulo. |
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