Entre as pessoas que conseguem chegar ao fim do mês com orçamento positivo, grande parte pretende guardar dinheiro para gastar no futuro. A intenção é parte do perfil do consumidor elaborado pela Fecomércio-RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro), que afere dados de orçamento, consumo e inadimplência das famílias brasileiras.
O PEC (Perfil Econômico do Consumidor) mostra que, em setembro de 2008, 28% dos entrevistados poupa os excedentes do final do mês para gastar no futuro e outros 27% poupam para gastos em caso de necessidade futura. Em setembro de 2007 esses percentuais correspondiam a 15% e 19%, respectivamente.
Em 2007, o líder do ranking das intenções de gastos com o dinheiro poupado ao longo do mês era a alimentação, com 21%. Neste ano a economia para gastar com alimentação não é mais prioridade, ficando em terceiro lugar na lista, com 14%.
Planejamento
Dentre todas as oscilações, um fato é notório: aumentou o número de pessoas com algum tipo de planejamento para o dinheiro guardado durante o mês. Enquanto em setembro de 2007, 20% dos consumidores não sabia o que iria fazer com o montante, em 2008, apenas 5% respondeu não saber como usar seu dinheiro poupado.
Entre 2007 e 2008 as intenções de gastos com a casa e com lazer caminharam em sentidos opostos. O primeiro aumentou de 5% para 7% entre setembro do ano passado e de 2008. Entretanto, gastos com lazer não fazem mais parte das intenções de algumas famílias, pois no período considerado, houve redução de 7% para 5%.
Diminuiu também a intenção de usar o dinheiro economizado para pagar dívidas. Em setembro de 2007, 5% dos consumidores responderam que esse seria o destino de sua poupança, mas, no mesmo mês em 2008, a quantidade reduziu para 3%. Da mesma maneira, os que pretendem gastar suas economias com roupas também compõem um menor grupo em 2008 (4% contra 6% em 2007).
Bom Natal
O levantamento demonstra uma queda de 24% para 18% na intenção de consumir bens duráveis nos próximos três meses, o que não deve afetar o comércio no Natal. Pesquisas anteriores mostram que, desde 2006, roupas, pequenos presentes e brinquedos estão entre as preferências dos consumidores para a data.
"O aumento do emprego e da renda ainda garantirá um bom Natal, pois o consumo desses itens tende a se confirmar, apesar da conjuntura da crise, marcada pelo arrefecimento da expansão do crédito, pelo encurtamento dos prazos e avanço das taxas, ao mesmo tempo em que o dólar ficou mais caro", explica o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz.