O crédito consignado - com desconto direto em salários -, que tem as menores taxas de juros por estar menos exposto a riscos de não pagamento, não chega a todos os trabalhadores da iniciativa privada, apesar de ser bem desenvolvido no setor público e entre aposentados e pensionistas.
"No setor privado, o que precisa não é de uma regulamentação, mas vencer a dificuldade sistêmica de se relacionar com a empresa, para que ela permita que o RH [Recursos Humanos] ofereça o produto", afirmou o presidente da ABBC (Associação Brasileira de Bancos), Renato Martins Oliva.
Se a primeira dificuldade é sistêmica, ou de implantar a tecnologia necessária para oferecer o serviço ao funcionário, a segunda é a de tratar o consignado de forma polida, sem a visão única de um produto financeiro. "Tem que ser encarado como um benefício".
Aptos a tomar
De acordo com Oliva, existem 30 milhões de pessoas aptas a tomar o empréstimo consignado no setor privado, mas apenas 2,8 milhões já o tomaram. No setor privado, já foram emprestados R$ 10 bilhões, ante R$ 23 bilhões para aposentados e pensionistas e R$ 40 bilhões aos funcionários públicos.
Com os entraves colocados aos funcionários privados, eles deixam de tomar um empréstimo mais barato e que ajuda no planejamento financeiro. "Ele tem uma taxa de juros três ou até quatro vezes mais baixa que a da outra alternativa que a pessoa teria".
Além disso, outro benefício desse tipo de empréstimo é que ele facilita o planejamento das famílias, conforme disse Oliva.
Mais cresce
O cenário para o empréstimo consignado no setor privado é bastante fraco. Poucos são os que contam com a opção. No entanto, de acordo com Oliva, a situação está mudando. "Apesar de o setor privado ser o que tem menos adesão, ele é o que tem a taxa de evolução mais acentuada".
O presidente da ABBC afirmou que, no setor privado, o crédito consignado "veio para ficar". Pode-se projetar, para este segmento, um crescimento de cerca de 20% ao ano, enquanto, nas demais categorias, a previsão é de estabilidade.
O que impulsiona este avanço, mesmo com os entraves burocráticos, são as taxas de juros menores, em relação a outras modalidades de crédito, e o fato de o pagamento ser descontado direto da folha de pagamento.