As medidas anunciadas pelo governo federal em relação ao aumento de crédito no mercado brasileiro ainda não surtiram o efeito esperado tanto para as empresas como para o consumidor final. Há três meses consecutivos o Indicador Serasa Experian de Inadimplência de Pessoa Jurídica vem apresentando aumento de mais de 25%.
O indicador de janeiro de 2009, divulgado na quinta-feira (26) em São Paulo, apontou alta de 28,9% na inadimplência das pessoas jurídicas na variação entre janeiro de 2009 e janeiro de 2008. Em dezembro, a inadimplência aumentou 36% em relação ao mesmo período de 2007.
Os títulos protestados representaram 41,5% de participação no indicador. Em seguida estão os cheques sem fundos, com participação de 39,5% no indicador em janeiro de 2009. Fecham o ranking as dívidas com os bancos, com uma participação no indicador de 19% em janeiro de 2009.
Em relação às pessoas físicas, a situação não é diferente. Dados do Banco Central, também divulgados na quinta, mostram que a inadimplência atingiu 8,3% dos financiamentos, o maior patamar desde maio de 2002.
Segundo o gerente de Indicadores de Mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi, a recuperação da economia brasileira é lenta, mas está acontecendo. Para ele, os programas de crédito demoram a chegar às empresas e aos consumidores.
“A economia é como um navio. Para mudar a curva é preciso parar e depois ir devagar. A confiança dos empresários e dos consumidores está voltando aos poucos”. De acordo com Rabi, as empresas brasileiras foram atingidas em duas frentes pela falta de crédito no mercado: dificuldade na renegociação das dívidas com os bancos e problemas com a queda de faturamento, gerando necessidade de crédito imediato.
“Nós acreditamos que aos poucos essas linhas de crédito cheguem aos consumidores e empresas, mas a situação de inadimplência positiva deve continuar pelo menos no primeiro semestre”, diz.
O ministro da Fazenda cobrou dos bancos brasileiros o aumento dos empréstimos e a redução dos juros e do spread bancário. O spread é a parcela que embute os custos dos empréstimos, o que inclui impostos, risco de calote e lucro dos bancos.
"Os bancos estão emprestando de menos para o meu gosto. Deveriam estar emprestando mais e poderiam estar baixando mais as taxas de juros do que estão aí", afirmou à Folha Online, em Brasília.
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Valor médio das dívidas
A pesquisa da Serasa mostrou também que, em janeiro de 2009, o valor médio das dívidas com os bancos foi de R$ 4.470,94, com 5,1% de crescimento na comparação com o primeiro mês de 2008.
Os títulos protestados, por sua vez, tiveram em janeiro de 2009 um valor médio de R$ 1.764,70, resultando em 26,7% de elevação frente a janeiro de 2008. E os cheques sem fundos tiveram seu valor médio em R$ 1.412,19 em janeiro de 2009, 15,4% a mais que o valor registrado em igual mês de 2008.
Apesar dos valores serem baixos, o gerente alerta para o fato de serem na maioria das vezes parcelas de financiamentos, que muitas vezes podem chegar a valores elevados.
O Indicador Serasa Experian de Inadimplência Pessoa Jurídica considera as variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados e dívidas vencidas com instituições financeiras. Segundo Rabi, foram analisados cerca de um milhão de eventos ocorridos no período.