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Crise aprofunda discussão sobre a necessidade de uma reforma financeirapor Da RedaçãoO Brasil é um dos poucos países que ainda está conseguindo diminuir os impactos negativos da crise financeira internacional. Para aproveitar este momento, o presidente do Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomercio, Paulo Rabello de Castro, defende uma reforma financeira que poderia ser conduzida pela cooperação entre instituições financeiras, Banco Central, Ministério da Fazenda e entidades. A proposta foi sugerida no evento Os impactos da crise: revisando o cenário mundial para 2009 e economia brasileira, promovido pela Fecomercio, em São Paulo. “Devemos aproveitar a oportunidade para evitarmos medidas convencionais já adotadas no passado, motivadas pelo conservadorismo do modelo econômico do País. O mundo e o Brasil precisam de uma ampla reforma financeira”, diz. Um dos principais componentes da reforma seria a implementação do cadastro positivo, que reduziria taxas de juros cobradas pelos bancos a clientes chamados bons pagadores e a redução da alavancagem dos bancos para amenizar o risco. “Devemos pensar em outras medidas que podem ser criadas dentro do sistema bancário”, completa. Segundo Rabello de Castro, não se deve esperar otimismo no cenário atual já que se trata de uma crise prolongada, na qual o Brasil não é o centro, mas qualquer “vento passageiro” seria suficiente para desorganizar o crescimento sustentado do País. Para Carlos Thadeu de Freitas Gomes, membro do Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomerio, existe liquidez no mercado, mas não está destinada ao crédito. “Hoje o crédito está difícil porque a inadimplência é alta”. De acordo com o economista, o excesso de conservadorismo em momentos não convencionais leva a economia a perder impulso creditício. Gomes sugere algumas saídas para o governo manter o crédito em circulação. A primeira é liberar o compulsório sobre o depósito à vista, substituindo crédito externo por crédito interno. A segunda é a redução da carga tributária sobre a intermediação financeira e outra medida é a flutuação da taxa Selic entre a Selic over e a meta definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom). “Seria um incentivo aos bancos acumularem menor reserva bancária dado o maior risco de perda pela flutuação das taxas intraday”. Gomes acrescenta que as medidas minimizariam os erros na fixação da taxa Selic numa conjuntura econômica não convencional sem afetar o regime de metas de inflação. Para ele, a única desvantagem dessas medidas seria a maior incerteza na precificação e no carregamento dos ativos devido a maior volatilidade das taxas. Para Gomes, o Federal Reserve está “sentado” em cima de papéis ilíquidos ao tentar comprar ativos se defendendo com deságio. “Não sabemos traçar o término desta crise”, afirma. Segundo Nicola Tingas, economista e diretor da SOBEET (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica), a crise deve proporcionar duas mudanças no País. Uma na reforma financeira e outra sobre o modelo de crescimento econômico, evitando a concentração de sua produção nos principais players como China e Estados Unidos. Para ele, o Brasil será um dos únicos a se beneficiar do fluxo de capital externo após a crise, já que hoje é um credor líquido externo, com sistema financeiro sólido. @@@ Cenário atual Para Rabello de Castro, a crise atual nasceu em países avançados, atingindo todas as economias. A Europa Oriental, por exemplo, que começou a tomar crédito após a década de 90 foi gravemente afetada, influenciando toda a região. Com exceção do Brasil, os Brics também estão com dificuldades. Rabello comenta que a Índia tem um sistema fiscal desequilibrado, dificultando ainda mais sua posição na crise. A Rússia está desequilibrada devido a queda no preço do petróleo. Já a China tem problemas financeiros decorrentes dos abusos de crédito. “Não é uma crise para começar e terminar em 2009, já que a política monetária norte-americana está sem capacidade de resposta”. O presidente do Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomercio acredita que o governo americano vai continuar a adotar pacotes de estímulos, distribuindo via Estados e municípios, cortando impostos, investindo em infraestrutura e rolando débitos hipotecários. Para ele, a crise já afeta o emprego no cenário global, além de refletir na forte retração da demanda chinesa e no maior protecionismo dos países. Sobre a Fecomercio A Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) é a principal entidade sindical paulista dos setores de comércio e serviços. Representa 151 sindicatos patronais, que abrangem cerca de 600 mil empresas, um universo que corresponde a 10% do PIB brasileiro e gera em torno de cinco milhões de empregos. |
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