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03/02/2009 16:02
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Efeito psicológico faz brasileiro postergar compras, diz presidente da Fecomércio e do conselho administrativo do Sebrae

por Agência Sebrae

O brasileiro deverá postergar suas compras até passar o efeito psicológico da crise, acredita o presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), Abram Szajman. Os efeitos da crise mundial têm sido mais sentidos no Brasil, segundo ele, na indústria de bens duráveis, com reflexo no comércio de produtos com alto valor unitário, como é o caso dos automóveis.



“A mídia está assustando e o trabalhador fica com receio. A cabeça das pessoas começa a postergar as compras. Quem quer comprar um carro, vai esperar até março ou abril para ver se a coisa fica mais cara. Ele vai continuar com seu televisor comum em vez de plasma”, diz.



Para ele, o que a indústria automobilística está vivendo é um ajuste, já que em 2008 foram produzidos 2,8 milhões de automóveis. “A quantidade produzida foi muito grande e mostra que teve gente que antecipou as compras que iria fazer em 2009, 2010 por conta das facilidades no pagamento. Agora, será feita uma acomodação”.



Diferente da indústria de bens duráveis, o comércio, no entanto, ainda não começou a desempregar. “O empresário do comércio tem uma empresa muito enxuta. Acredito que não chegaremos a um desemprego muito exagerado. Eu acho que nós vamos passar por uma situação de ajuste muito pequena”, diz Szajman, que preside a Fecomércio há 23 anos e recentemente foi empossado como presidente do Conselho do Sebrae em São Paulo.



Ele lembra que neste começo de ano houve o reajuste do salário de grandes categorias, que continuam trabalhando com renda positiva. “Nós temos uma massa salarial que cresceu muito nos últimos cinco anos e temos o salário mínimo que a partir de fevereiro será reajustado. Além disso, o presidente assinou um decreto expandindo o Bolsa-Família. Isso tudo é injeção de dinheiro no mercado”.



Apesar das dificuldades em alguns setores, o empresário afirma que o Brasil aprendeu nas épocas de inflação alta a ter um comportamento mais adequado. “É preciso ter uma nova legislação trabalhista, tributária, partidária, previdenciária, mas mesmo com essas faltas, o Brasil tem uma posição mais confortável de reserva de dólares e sistema financeiro intacto”.



Abram Szajman lembra que o endividamento no Brasil é baixo, cerca de 40% do PIB, enquanto que nos Estados Unidos chega a 160% e, na Europa, 120%. “Quer dizer que temos um espaço muito grande para progredir, desde que voltemos à normalidade do sistema financeiro que também tem seus problemas e também tem seus receios de inadimplência, em função da psicologia que está embutida na cabeça das pessoas”.



Mas faz um alerta: o desemprego não pode disparar, fazendo com que seja impossível a pessoa pagar as prestações e seus compromissos. “A nossa perspectiva é que a economia, crescendo pouco, vai crescer 2%, 2,5%, não chega a 4%, como o governo quer, mas é um crescimento que possibilitará resgatar a massa salarial, a manutenção da renda e com isso a manutenção do emprego”.

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Medidas do governo



Segundo ele, apesar das medidas de incentivo a alguns setores, há espaço para que o governo federal faça mais para incrementar a economia, como a prorrogação dos impostos a serem pagos, a diminuição da taxa de juros, a política monetária dos compulsórios. Abram Szajman defende a taxa Selic de um dígito.



“O País não pode funcionar como um país de política social justa com uma taxa de juros, que, na ponta para o consumidor, chega a 50%. O importante é o governo ter uma taxa de juro básica baixa para poder gastar menos com juros, fazer investimentos gerando empregos, na área de infra-estrutura, precisa de portos, aeroportos, vias navegáveis, etc., e baixar o juro na ponta para o consumidor para o produtor em geral para que ele possa trabalhar com custos mais baixos e com isso manter o emprego, todo mundo trabalhando, comprando”.



O presidente da Fecomércio diz que junto com outras entidades de classe tem procurado amenizar “essa guerra psicológica entre o emprego e o desemprego, entre o que tem medo de perder o emprego e o que tem medo de gastar. “Estamos tentando introduzir uma modernização de negociações entre os sindicatos de trabalhadores e dos empregadores. Tentando encontrar uma alternativa para que nesses segmentos mais suscetíveis ao desemprego, como calçados, setor de aço e bens duráveis, os trabalhadores sejam menos afetados. Nós sabemos que desde a Constituição de 88 existem mecanismos de ajuste de temporário, de manutenção de emprego com redução de horas de trabalho, de salário, com afastamento para melhoria da qualificação profissional. “Não podemos ficar amarrados ao problema do desemprego”.



Ele diz ter encontrado boa vontade de todas as partes. Além disso, a Fecomércio está conversando com a Secretaria de Fazenda do Estado e com o governador José Serra para que seja agilizada na Assembléia Legislativa a votação do Simples estadual. “Queremos também que a microempresa tenha uma escala de faturamento menos tributada do que está hoje no Estado e no município. Colocar a isenção num limite mais alto e permitir que o faturamento se alongue acima de R$ 2,4 milhões para R$ 3 milhões ou R$ 4 milhões. Já estamos conversando com a Secretaria da Fazenda”.



Outra proposta da Fecomércio é baratear os custos para a implantação da nota fiscal eletrônica. De acordo com o empresário, existe um esforço para reduzir muito esse encargo, que será o custo da nota fiscal paulista. “Estamos também vendo as possibilidades para não ter um custo exagerado da escrituração eletrônica, que será obrigatória em breve”.


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