As lembranças das últimas chuvas que assolaram a região do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, ainda rondam a memória da empresária Dulcimar Sousa Milbratz, sócia da pequena empresa de reciclagem de papéis, papelão e ferragem Dodepel, localizada na BR 470, próximo a Blumenau.
Ela procurou o Sebrae para pedir orientação sobre como proceder nas condições em que a empresa está hoje. A Instituição lançou, nesta quarta-feira (17), nas cidades de Itajaí, Blumenau e Tijucas, o programa Recuperação Empreendedora, que vai atender, durante seis meses, pelo menos 35 mil micro e pequenas empresas do Estado atingidas direta ou indiretamente pela catástrofe natural.
A empresária contou à Agência Sebrae de Notícias que a Dodepel fica distante apenas dez metros de um morro e nunca se preocupou com isso. Foi aí que começaram os problemas. Com as fortes chuvas, parte do morro desabou, inundando as instalações da empresa. "Nunca vi algo desse tipo. Já tive que contratar tratores para retirar o barro de dentro da minha empresa, mas isso é trabalho para dois meses consecutivos", disse.
Dulcimar Milbratz esteve no local instalado pelo Sebrae, em Blumenau, para pedir informações também aos bancos parceiros nesse programa sobre linhas de crédito, já que terá que contratar um financiamento da ordem de aproximadamente R$ 30 mil para arcar com as despesas com a terraplanagem.
"Terei que dar férias coletivas aos trinta funcionários da empresa para que o serviço seja concluído. É de cortar o coração ver um pai de família trabalhar em condições precárias, com lama até as pernas, para ganhar seu sustento. Mesmo com galochas e luvas de proteção é desumano. A melhor decisão é dar férias coletivas, antes que percamos mais funcionários", contou a empresária, que revelou ainda que quase 20 funcionários pediram demissão nos últimos dois meses.
A história de Dulcimar não é diferente dos quase 79 mil empresários que o Governo do Estado e o Sebrae estimam estar sofrendo as conseqüências das chuvas. O presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, que esteve presente à inauguração do programa Recuperação Empreendedora nas três cidades, disse que o foco da Instituição é apoiar essas empresas a se reerguerem. "Queremos que o dinheiro circule nessa região, que os empregos sejam mantidos e para isso a economia tem que ser aquecida novamente", comentou.
O Sebrae fechou acordo com bancos oficiais (CEF, Banco do Brasil, Badesc, BRDE) e com cooperativas de crédito de Santa Catarina para que seja facilitado o acesso a linhas de crédito dessas instituições às empresas atingidas. "Muitos empresários já não sabem mais o que fazer e boa parte deles perdeu tudo o que tinha", disse.
É o caso da empresária Neusa Maria Voigt, dona da loja Usadão Informática, localizada em Itajaí. A loja não foi inundada pelas chuvas tampouco atingida por deslizamentos de terra. No entanto, todo o serviço de manutenção e venda de computadores que faz a empresas portuárias caiu pela metade, já que essas companhias tiveram suas estruturas comprometidas e estão investindo em sua reconstrução.
Com isso, Neusa Voigt contou que já está no cheque especial, paga um empréstimo pessoal e deve ainda a agiotas, pagando uma média de 13% de juros ao mês. "Preciso de dinheiro para quitar essas dívidas e me concentrar em arcar com um único financiamento. Não posso correr o risco de ter de fechar a empresa". O faturamento da loja que antes era de R$ 13 mil por mês, hoje chega a R$ 6 mil. Com três funcionários, Neusa teme ainda ter que mandar o pessoal embora se a situação não melhorar.
O programa Recuperação Empreendedora vai funcionar em caráter emergencial em oito cidades, as mais atingidas pelas chuvas. No entanto, a ação continua até 30 de junho de 2009, prazo em que se pretende atender cerca de 35 mil empresas. Para isso, o Sebrae investe R$ 4,5 milhões na orientação e consultoria a esses empresários.