Reportagens
19/05/2008 09:57
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Eu acredito é na rapaziada

por Marcia Vespa

Todas as empresas, em todos os mercados, viveram e sentiram na pele os efeitos da globalização, o “boom” da internet, a entrada maciça da mulher no ambiente de trabalho, as alternativas geradas pelos pais para educarem filhos numa nova modalidade de contato e se esqueceram de analisar os impactos que esses comportamentos trariam quando essa moçada chegasse para ocupar seu espaço no mundo corporativo. É... E eles cresceram! Batizados de “Geração Y”, eles chegaram para tirar o sono dos profissionais de recursos humanos e gestores no que tange a retenção de talentos.

 

Chegaram com o perfil da nova era: impacientes, rápidos nas decisões, insatisfeitos, e totalmente orientados para a satisfação imediata de seus anseios e sonhos, como se não tivessem tempo a perder, tudo isso acompanhado por uma visão de mundo muito mais ampliada. Chegaram ao mercado de trabalho com competência, desejo de realização, muito mais ousadia e dispostos a experimentar novos desafios, fazendo com que as empresas e os profissionais de RH repensem suas tradicionais práticas de gestão de pessoas.

 

Por outro lado, dada à imprevisibilidade de mercado, é natural que as empresas busquem identificar e trazer para a sua organização o jovem e a sua capacidade de inovação, seu desejo de aprender, de se engajar em projetos desafiadores e em práticas de responsabilidade sócio-ambientais, auto-estima e autoconfiança bem trabalhadas, e claro, muito bom humor. As empresas estão buscando gente bem resolvida, de bem com a vida. Os problemas farão parte do dia-a-dia, mas as relações humanas não podem ser ameaçadas, pois se descobriu que pessoas felizes dão mais lucro. É isso... Pessoas felizes dão mais lucro!!!

 

Mas como compatibilizar os interesses pessoais com os empresarias? Esta é a grande e desafiadora pergunta que não quer calar.

@@@

 

Muitas empresas estão amargando a tristeza, a angústia e, por que não dizer, o prejuízo deixados pela perda de talentos que fez emergir a certeza, mesmo que provisória, de que era a coisa certa a fazer no momento.  Contratar pode ser caro. Mas perder é desperdício.

O que levar em consideração num processo seletivo para que o tiro não seja curto?

 

Para as empresas, sugiro revisitarem e reinventarem as suas práticas de gestão de pessoas. A começar pela metodologia adotada no processo seletivo. Selecionar por competências pode e deve ser uma prática mais habitual se bem aplicada para identificar não somente grandes potenciais, mas principalmente se há alinhamento com os valores da organização. Se os valores pessoais destoarem dos valores organizacionais, não há potencial que se perpetue. É tiro curto.

 

Outro ponto a considerar é o tradicional plano de carreira. O efeito crescimento gradativo, degrau a degrau, moroso e interminável, normalmente na vertical, é totalmente incongruente com a velocidade do mundo, quiçá dos jovens profissionais impacientes e infiéis da Geração Y que chegam ao mercado de trabalho. Ávidos por desafios, e não necessariamente por cargos, eles clamam por projetos desafiadores, envolventes, bem como a oportunidade de conviverem nestes projetos com pessoas inteligentes e bem sucedidas. É o que tem feito a chama do entusiasmo durar. O projeto acaba. Comemora-se, e outro vem à tona. Novos desafios, gente nova, novas responsabilidades. Isso não enjoa!

 

Gestão dos benefícios? Pense num cardápio de opções. A autonomia e a liberdade de escolha convergindo com as necessidades presentes do jovem são excelentes aliados da retenção de talentos.

 

Invista em desenvolvimento e capacitação, sim. Mas se esforce e garanta para que os conhecimentos adquiridos sejam materializados no próprio meio profissional. Crie ambiente. Estimule. Desafie. Premie.

 

Tenho visto empresas investirem grandes somas em treinamento e doarem a custo zero um profissional para a concorrência.

 

Crie seu diferencial olhando para as suas pessoas, antes que alguém faça isso por você.

Seja criativo. Se tiver dificuldade, chame-os para o seu lado. Ali tem idéia que não acaba mais. Idéias implantadas e celebradas também retêm talentos. Afinal, talento atrai talento.

Marcia Vespa é psicóloga com extensão em psicodrama, pós-graduada em marketing de negócios e MBA em gestão de pessoas pela Escola de Administração de Empresas da FGV e diretora da Leme Consultoria.




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