"A despeito da desaceleração econômica no mundo, os fundamentos do Brasil são sólidos". A afirmação permeia relatório do JPMorgan Chase sobre os mercados emergentes e revela o olhar da instituição diante do cenário doméstico que, embora atualmente deteriorado - vide recuo tanto na produção industrial quanto no nível de emprego -, detém uma edificação robusta.
Nesse sentido e, partindo de uma perspectiva de médio prazo, os analistas do banco creem que o regime flexível no câmbio, aliado a flexibilizações na política monetária pelo Copom (Comitê de Política Monetária), deverá permitir ao Brasil vivenciar um panorama inédito, cujo teor inclui a expectativa da Selic atingir o menor patamar da história, o que contribuirá para a retomada do crescimento econômico.
Em contrapartida, o futuro próximo deixa margem a preocupações: "mantemo-nos cautelosos no Brasil no curto prazo", observa o banco, embora argumente em tom positivo que enxerga o presente como um bom ponto de entrada na renda variável brasileira, dada a oportunidade, inclusive ressaltada pelos analistas, de sair dos papéis defensivos para se beneficiar dentro de ciclos econômicos domésticos.
Para explicitar a oportunidade dentre os segmentos, "gostamos do setor financeiro; um olhar que se alinha ao horizonte positivo dos mercados emergentes para a reflação", completam os analistas, diante da expectativa de que os bancos serão agraciados com os esforços do Estado para recuperar a economia, seja via emissão monetária, ou por meio de movimentos na política fiscal.
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Casamento é válido no curto prazo...
Inseridos no Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), Brasil e Rússia possuem muitas semelhanças. Dentre as proximidades, o tamanho das economias, dado o PIB (Produto Interno Bruto) na casa de US$ 1,2 trilhão; e a alta dependência do mercado de commodities, apesar do caso brasileiro apresentar uma relação menor do que o russo, se destacam no relatório.
Partindo da premissa de que há poucas diferenças entre os países, o JPMorgan Chase aponta para um possível contágio do pessimismo russo em solo brasileiro. "A correlação de um ano entre o MSCI Rússia e o MSCI Brasil é bem alta, em 87,6%, com o patamar se elevando a cada ano que passa", ressaltam os analistas.
Além da elevada correlação, a volatilidade observada para ambos índices mantém-se alta, conforme os dados compilados pela instituição financeira. Para o Brasil, a volatilidade observada nas últimas 26 semanas permanece no patamar de 41,5%, enquanto do outro lado do Pacifico o nível para o mercado russo é de 45,4%. "O beta entre os mercados da Rússia e do Brasil é baixo, de 0,8", contrapõem os analistas.
...mas se desfaz no médio e longo prazo
Entretanto, é nos fundamentos macroeconômicos de Brasil e Rússia que moram as diferenças. No tocante à dívida soberana externa, as pendências nacionais representam cerca de 17,3% do PIB previsto para este ano, ao passo que a mesma relação estimada para a Rússia é de 37,6%. "Não apenas isso, mas o Brasil possui um melhor perfil de financiamento, considerando que a relação da dívida externa total sobre as receitas presentes são menores", completa a instituição.
Por último e, ao olhar para a pauta de exportações dos ambos países, preocupações em torno da balança comercial russa aparecem. Segundo estimou o JPMorgan Chase, 90% dos produtos enviados para fora de Moscou se correlacionam com commodities, sendo compostos por 68% de gás natural e petróleo e 20% em outros artigos. Já no Brasil, além da relação ser menor - na casa dos 55% -, a diversificação dos bens primários exportados beneficia a economia.