As empresas que utilizam o código de barras exploram pouco a real potencialidade dessa tecnologia. Não são poucas as vezes em que o uso da codificação se limita à identificação do produto, no caso da indústria, ou ao processo de venda no caixa, em se tratando de varejo.
No entanto, o código de barras vai muito além dessas funções. Sendo uma das mais avançadas ferramentas na automação dos processos produtivos, comerciais e logísticos, ele permite controlar estoques – o que é fundamental para quem deseja atender bem o cliente – e dispor de informações precisas no que concerne à validade, às dimensões e à qualidade de um produto, entre tantas outras informações. Desse modo, confere maior eficiência na gestão de processos, evita burocracia com circulação de papéis e reduz os riscos erros de contagem.
Por sua vez, o EPC – Código Eletrônico de Produto, que usa a radiofreqüência como forma de comunicação, é o caminho para a modernização do processo de captura automática de dados. Uma de suas diferenças fundamentais em relação ao código de barras é a possibilidade de acessar automaticamente as informações sem que haja a necessidade de leitura física a partir de antenas de leitura por onde passarem as mercadorias. Isso permite acessar as informações relativas a um produto em tempo real, ou seja: ficamos sabendo se ele está na área de vendas ou no estoque, se a carga está no centro de distribuição ou no caminhão a caminho da loja etc.
Mas, para alcançar a excelência no uso das tecnologias mais modernas, uma empresa necessita de aprendizagem, tanto no que diz respeito à automação de processos quanto no tratamento das informações de negócios geradas atualmente pelo código de barras. E é aqui que entra a GS1 Databar.
O GS1 Databar é bem menor que os atuais códigos de barras e pode carregar muito mais informações. Graças ao seu tamanho reduzido, ele ocupa aproximadamente a metade da área de um código EAN-13, que atualmente serve para codificar os produtos que saem pelo caixa da revenda.
Pensemos no setor de material de construção: quantos produtos pequenos que se beneficiariam com este código? Existem produtos como as curvas/cotovelos 90º, utilizadas para a emenda de canos, cujo formato praticamente inviabiliza a colocação de uma etiqueta com o código EAN-13 – e, quando esta é colocada em tamanho reduzido, a leitura fica prejudicada.
O mesmo se aplica às barras de cano de ¾, aos pincéis e tantos outros pequenos elementos necessários a uma obra.
Por seu pequeno tamanho, o GS1 Databar, abre novas perspectivas na organização logística desses materiais. E não é só isso: se hoje existem empresas que colocam seus produtos pequenos em embalagens grandes apenas para que estas comportem o código de barras, esse mecanismo poderá ser repensado, levando ao redesenho dessas embalagens e a uma consequente e bem-vinda economia de material.
Outro ponto favorável do GS1 Databar é que ele poderá codificar informações variáveis do produto, tais como o lote ou a data de validade, possibilitando um melhor controle de informações.
Seu uso exigirá adaptações do leitor de código de barras – na maior parte das vezes, bastará uma simples reconfiguração. É razoável supor que a necessidade de adaptações levará a uma melhor prestação de serviços.
Vale ressaltar que nenhuma tecnologia será substituída pela outra. O código de barras tradicional, o EPC e o GS1 Databar se complementam e auxiliam os revendedores a fazer mais e melhor, a custos reduzidos!
Marcelo Oliveira Sá é assessor da Célula de Soluções de Negócios da GS1 Brasil, associação multissetorial sem fins lucrativos, cuja missão é implementar e disseminar no Brasil padrões para a melhoria das cadeias de suprimentos, colaborando, assim, para o processo de automação.