De acordo com dados da Serasa, os cheques possuem 17,7% de participação no indicador de inadimplência de janeiro de 2009, ou seja, há menos inadimplência em pagamentos feitos com cheques do que nos pagamentos por meio de financiamento bancário (43,6%) e por meio de cartões de crédito (36,8%).
Para o diretor da TeleCheque, Naldo Gomes, isso não significa que as pessoas estão utilizando menos o cheque como forma de pagamento: "ele tem uma transação bastante superior do que dos cartões de crédito. Números do Banco Central indicam que, em dezembro de 2008, os cheques movimentaram R$ 95,5 billhões, enquanto os cartões tiveram R$ 45,6 bilhões, então o cheque ainda é muito forte, talvez não nas grandes capitais, mas sim em cidades do interior, que são importantes pólos de consumo".
Inadimplência menor
Para Gomes, a menor inadimplência registrada nesta forma de pagamento não se deve ao fato do menor uso do cheque, e sim nas implicações que um cheque devolvido causa ao consumidor.
"Quando uma pessoa dá um cheque sem fundo e ele volta uma, duas vezes, ela acaba entrando imediatamente no cadastro do cheque sem fundo, e aí ela perde todo o crédito no mercado e fica impedida de fazer financiamento, emitir novos cheques e sua conta fica bloqueada. É por isso que há menor inadimplência nesse meio de pagamento".
Aceitação
Apesar de registrar menor inadimplência, há um número cada vez maior de estabelecimentos recusando o cheque como forma de pagamento.
"O cheque é um meio de pagamento que traz muitos benefícios tanto para os lojistas quanto para os consumidores. Eu acredito que os lojistas que não aceitam o cheque tomam essa decisão por não possuírem nenhuma ferramenta de suporte para a aceitação, como empresas de consultas e garantia de cheques e assim ficam receosos quanto a compensação dos cheques. Além disso, as empresas especializadas na concessão de crédito com o meio de pagamento cheque, para alguns lojistas, são vistas como custo", explica Gomes.
O diretor cita ainda mais motivos que levam o varejista a recusar o cheque. "Alguns varejistas, geralmente as pequenas empresas, não possuem sistema de automação comercial próprio e não conseguem ter controle destas operações. Além disso, alguns não possuem conhecimento básico para análise e conferência deste meio de pagamento, que pode ser por meio da conferência do RG, de telefones para contato, de apresentação do cartão do banco entre outros, finaliza.