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06/01/2009 16:04
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Legado ambiental

por Andréia Seganfredo

Waldir Beira Júnior reforça preocupação da empresa com o meio ambiente ao redimensionar a marca Ypê

Foto Divulgação |A Química Amparo, detentora da marca Ypê, mostra sua preocupação com o meio ambiente desde o lançamento do primeiro produto: o sabão em barra, 100% orgânico e biodegradável. Fundada em 1950, pelo pai e pelo avô de Waldir Beira Júnior, atual diretor, a empresa tornou-se líder de mercado nesse segmento e, ao mesmo tempo, consolidou os princípios sustentáveis na cadeia de produção. A última investida em prol da sustentabilidade começou no ano passado, com o Projeto Florestas do Futuro, em associação com a Fundação SOS Mata Atlântica. “O projeto reafirma os compromissos com responsabilidade socioambiental, que fazem parte da nossa história”, afirma Beira Júnior.

A opção pelo projeto de reflorestamento em parceria com a Fundação resultou de um plano de redimensionamento de marca. “Foi uma forma que nós encontramos de apresentar o que já vinha sendo feito nas nossas plantas industriais e nos produtos, e fazer muito mais”, diz João Augusto Siqueira Giraldini, gerente de produtos e marketing. Nas três unidades, há estação de tratamento de efluentes, captação de chuva para uso industrial e reuso de água nos processos internos, como jardinagem e limpeza. A Ypê desenvolveu também estações de tratamento de esgoto doméstico e destina os resíduos sólidos somente para aterros autorizados pelos órgãos responsáveis. Na matriz, foram plantadas milhares de mudas de ipês.

O desenvolvimento da marca levou quase três anos e terminou com a adesão ao Projeto Florestas do Futuro. “Foi feita uma extensa pesquisa de mercado com consumidoras, que associaram a marca Ypê a atributos como natureza, preocupação com a natureza, limpeza e água”, conta Giraldini. Foi criada uma nova logomarca e o slogan “Cuidando bem da nossa casa”, numa alusão aos produtos e à responsabilidade socioambiental da empresa. “Nesse momento, encontramos a Fundação SOS Mata Atlântica, que tinha responsabilidade, credibilidade e uma estrutura muito boa, que não teríamos como montar.”

O Projeto Florestas do Futuro permite que as empresas neutralizem as emissões de carbono a partir de ações de plantio de árvores em áreas de reflorestamento, com mudas nativas, privilegiando regiões de mata ciliar. “No caso da Ypê, foi uma iniciativa espontânea e com isso ela vem contribuindo de forma significativa”, diz Marcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento da Fundação SOS Mata Atlântica. Enquanto a empresa viabiliza e acompanha o trabalho, a Fundação executa a restauração da floresta, promove atividades de educação ambiental e divulga os resultados. “Esse relacionamento é estreito e geralmente extrapola as metas específicas da parceria, uma vez que nossos programas estão inseridos numa causa maior, de envolvimento das pessoas”, explica Marcia.

A Ypê entrou no programa patrocinando um total de 200 mil mudas. Produzidas num viveiro localizado em Joaquim Egídio, próximo a cidade de Amparo (SP), cerca de 30 mil já foram transplantadas. “Como nosso projeto consiste em reflorestar áreas da região metropolitana de Campinas, o viveiro está instalado próximo. No entanto, há outros mantidos pela Fundação”, explica Giraldini. Toda essa estrutura é montada em fazendas com área nativa de mata atlântica, para propiciar o desenvolvimento das plantas dentro de condições climáticas ideais.

Nos viveiros, são realizados programas de geração de renda e de educação ambiental, geralmente com a parceria de ONGs locais, capacitadas pela Fundação para a produção e plantios de mudas. “Essa atividade tem uma proposta para garantir a sustentabilidade da ONG e, com isso, a empresa garante a manutenção da rede”, diz Márcia. No caso da Ypê, o viveiro de Joaquim Egídio ganhou apoio da ONG Jaguatibaia, que atua na proteção, preservação e recuperação das bacias do Rio Atibaia e Jaguari. “Dessa forma a gente conseguiu fechar o ciclo da sustentabilidade. Podemos atuar na área social e ambiental”, afirma Giraldini.

Foto Divulgação |Os locais de reflorestamentos ou de instalação dos viveiros são Áreas de Preservação Permanente, identificadas pela equipe técnica da Fundação. Podem ser terras recomendadas ou possuídas pela empresa, públicas ou privadas – quando é necessário consenso e autorização do proprietário para desenvolver o projeto. As 30 mil mudas transplantadas pela Ypê, por exemplo, foram para a Fazenda Malabar, localizada na cidade de Itatiba (SP). “Elas propiciam um ciclo de recuperação ambiental: nutrição e proteção do solo e subsolo, mananciais e formação de um corredor, onde a fauna pode se desenvolver”, avalia Giraldini.

A importância e o impacto do projeto podem ser avaliados quando confrontados com os números atuais da vegetação de mata atlântica. O Brasil possui apenas 7% da formação original, segundo dados da Fundação. Bioma mais rico em biodiversidade do planeta, estende-se do Rio Grande do Sul ao Piauí, em 15% do território nacional, onde vive 62% da população brasileira – cerca de 110 milhões de pessoas. Nessas áreas, sete das nove maiores bacias hidrográficas brasileiras abastecem 3,4 mil municípios. Além da diversidade de fauna e flora, há espécies endêmicas, cuja sobrevivência implica diretamente na manutenção desse remanescente.

Compromisso

Para garantir resultados satisfatórios, todas as etapas são acompanhadas pela empresa, com visitações regulares às áreas e por meio de relatórios emitidos pela Fundação, sob a auditoria da PriceWaterhouseCoopers. “Nossos consumidores e a sociedade em geral querem saber o que estamos fazendo, e dessa forma nós podemos prestar contas a eles. Não é uma estratégia de marketing”, diz Giraldini. Assim, o compromisso assumido pela Ypê com os seus consumidores e com o meio ambiente se fortalece. “Com o plantio pretendemos ajudar a reduzir o efeito estufa e, conseqüentemente, as mudanças climáticas, a elevação do nível dos oceanos, entre outros problemas que destroem a natureza e acarretam problemas à saúde do homem", diz Beira Júnior.

Com esse objetivo, a Ypê estende a responsabilidade socioambiental aos produtos. Além de atender a exigências legais, que exigem componentes biodegradáveis nos detergentes, a empresa utiliza embalagens recicláveis. Em agosto, lançou o primeiro lava-roupas ecológico do mercado brasileiro, o Ypê Premium. Com formulação livre de fosfato, o sabão em pó causa menor impacto à vida aquática. “É um elemento químico que, quando em abundância nas águas, causa proliferação das algas e, conseqüentemente, consome oxigênio e compromete o ecossistema”, explica Giraldini.

Depois de dois anos de pesquisa, a empresa desenvolveu uma formulação utilizando novos componentes, que apresentavam a mesma eficiência na limpeza das roupas. A embalagem do produto, em papel-cartão, possui a Certificação FSC (Forest Stewardship Council), que atesta o manejo e uso responsável de recursos florestais. “Reconhecemos que ações como essas podem ser pequenas diante do que precisa ser feito em favor do meio ambiente, mas, ao mesmo tempo, nos sentimos na obrigação de dar o primeiro passo em direção a um mundo melhor”, conclui Beira Júnior. De geração em geração, a Ypê preserva o futuro.

Waldir Beira Júnior
Local de Nascimento: Amparo (SP)
Data de Nascimento: 1º/04/1965
Formação: Administração de empresas e pós-graduação em Marketing
Empresa: Ypê
Ano de fundação: 1950
Ramo de atuação: Química de engenharia e limpeza
Cidade-sede: Amparo
Funcionários: 2 mil

Contatos
Fundação SOS Mata Atlântica: (11) 3055-7888
Ypê: (19) 3808-8000


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