A pouco mais de 500 km de São Paulo, capital do Estado, cerca 30 empreendedores encontraram uma fórmula de encarar os desafios de gerenciar uma pequena empresa, em especial neste momento de crise. Instaladas no Centro Incubador de Empresas (CIE) de São José do Rio Preto – resultado da parceria entre Sebrae/SP, Prefeitura Municipal e a Associação Comercial e Industrial, as empresas parecem regidas pelo entusiasmo.
“Nós temos um oásis aqui”, diz a gerente do CIE, Consuelo Braz de Oliveira. “Não se trata de um otimismo exagerado, mas é porque o clima aqui é de muito compromisso, todos temos compromisso com o nosso resultado. Temos aqui três palavras de ordem: cautela, informação e inovação. Está muito claro para nós que quem vai fazer 2009 vai ser a gente, do jeito que a gente quiser”, acredita a gerente.
O Centro Incubador de Empresas funciona em um terreno de 4.100 m², com área construída de 1.826 m². Possui 22 boxes, com tamanhos que variam de 23 a 166 m². O Centro possui hoje 19 empresas residentes e 11 associadas. Seis delas – duas residentes e quatro associadas – tiveram seus planos de negócios aprovados um dia depois do aniversário de 10 anos da incubadora, comemorado em 28 de janeiro, e devem começar a funcionar nos próximos dias.
No total, estas empresas geram, direta e indiretamente, cerca de 200 postos de trabalho nos mais variados segmentos: confecções, alimentos, impressão gráfica, plásticos, eletroeletrônicos e, principalmente, tecnologia da informação.
As empresas residentes recebem consultorias, participam de treinamentos e cursos e recebem apoio jurídico e administrativo. Além dos custos de aluguel subsidiados, os empresários dividem entre si os gastos comuns com energia elétrica, água e limpeza do “condomínio”.
“O Centro Incubador de Empresas tem uma importância muito grande para São José do Rio Preto”, diz o Secretário Municipal de Planejamento, Orlando Bolçone. “Ele se enquadra dentro do Sistema Integrado de Desenvolvimento Industrial Sustentado, e em 2007 a prefeitura investiu um R$ 1,5 milhão no terreno e nas instalações da nova sede, feitas de acordo com as indicações do Sebrae/SP. O local onde ele está instalado é estratégico, fica no Distrito Industrial Waldemar Verdi, perto da sede da Associação dos Profissionais e Empresas de Tecnologia da Informação (Apeti) e do Centro de Tecnologia. Assim que as empresas são graduadas podem se instalar em mini-distritos providenciados pela prefeitura.”
Hoje, o Centro Incubador está praticamente lotado. Tem apenas três vagas para empresas de tecnologia da informação. No ano passado já houve uma expansão no atendimento para empresas associadas. Apesar disso, a incubadora continua recebendo planos de negócios dos interessados, e analisando a melhor forma de atendê-los.
“O CIE é um importante gerador de novas idéias e negócios em São José do Rio Preto”, diz Valdecir Buosi, diretor da Acirp e membro do Conselho de Administração do Centro Incubador. “O Centro é formado por empreeendedores que têm vontade de progredir. Isso faz com que a economia cresça e a geração de emprego e renda também".
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O marceneiro empresário e o engenheiro que só tem clientes espanhóis
Nos dez anos de funcionamento do Centro Incubador passaram por ele 60 empresas. Um dos primeiros clientes foi Pedro Vergílio, que na década de 90 trabalhava como marceneiro, prestando serviços externos. Aos poucos, conseguiu comprar algumas máquinas essenciais, e passou a trabalhar nos fundos de casa. Em 2000, leu sobre o CIE em um jornal e resolveu ir até lá. Apresentou o plano de negócios e foi aprovado.
“Eu estava atrás só de espaço físico”, lembra Pedro. “Mas consegui muito mais do que isso. Eu era apenas um marceneiro, não entendia nada de administração, de gerência e de fluxo de caixa. Aprendi isso tudo lá.” Aprendeu, e aprendeu bem. Quando chegou à incubadora, trabalhavam apenas ele e um assistente. Em outubro do ano passado a Vergilio´s Móveis chegou a empregar 25 pessoas, e produzir 200 camas por dia para um único cliente.
Mesmo com a perda de alguns clientes nos últimos meses, o que levou à redução do número de funcionários para sete, o empresário continua animado, em busca de novos clientes. “É só correr atrás que acha, eu tenho tudo aqui, espaço, funcionários, máquinas. Tudo isso e muita vontade de trabalhar, com crise ou sem ela.”
A crise também não preocupa um dos mais novos 'moradores' do centro, o engenheiro técnico de sistemas Gustavo Máximo. Ele nasceu em São José do Rio Preto, mas viveu na Espanha por 10 anos, até 2008. Ele estudou e trabalhou em Barcelona, quando surgiu a oportunidade de terceirizar serviços para empresas de tecnologia da informação. Gustavo resolveu montar uma empresa no Brasil, e optou por São José do Rio Preto por causa da incubadora, da qual tomou conhecimento por meio da internet.
Gustavo diz que ligou de Barcelona, pegou as primeiras informações por telefone e voltou para o Brasil. Em maio, a Qriteris (“mistura de qualidade e critério”, segundo ele) já estava funcionando. Hoje Gustavo tem nove funcionários trabalhando em tempo integral para seis clientes espanhóis. “Eles mandam os projetos de software, e nós desenvolvemos aqui”, diz Gustavo. “A crise mundial afetou um pouco os negócios, mas como já temos clientes fidelizados o abalo não foi grande. Tanto que, já no primeiro trimestre, o resultado permitiu que distribuíssemos benefícios entre os funcionários”, comemora ele.
Gustavo viaja para Barcelona nos próximos dias. Vai passar quatro meses em negócios na Espanha. Apesar de ter se tornado um “exportador de serviços”, ele planeja buscar também uma fatia do mercado nacional. E acha que está bem preparado para isso: “Quando abri a empresa já tinha alguma noção de gestão, mas foi aqui na incubadora que realmente me tornei um empresário”, afirma Gustavo.
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Uma nova consciência do empreendedorismo
A gerente Consuelo Braz de Oliveira está à frente do Centro Incubador de São José do Rio Preto há oito anos. E notou uma grande mudança no público que procura o CIE: “Está acontecendo um amadurecimento muito grande no perfil do empreendedor que procura a Incubadora. As pessoas já chegam sabendo que terão direitos, mas também deveres, Chegam aqui sabendo falar do negócio deles. Discutem com a nossa equipe questões de mercado, finanças, RH, produção e estão realmente envolvidos com o negócio. Não é mais responsabilidade somente da incubadora. Eles assumiram a própria responsabilidade na condução do negócio”, diz Consuelo.
Em momentos de crise como o atual, a preocupação dos responsáveis pelo Centro aumenta. “É nestas horas que surge o empreendedorismo por necessidade, que não é o ideal. A pessoa está buscando uma saída para uma situação às vezes inesperada”, afirma o gerente do Escritório Regional do Sebrae/SP em São José do Rio Preto, Arthur Achoa. “O que fazemos é orientar e preservar os projetos que realmente tenham possibilidade, até para evitar que este empreendedor dê um passo que possa gerar prejuízo, provocando a perda de sua poupança por causa de um passo mal dado.”
A empresa mais nova na incubadora é exemplo deste novo comportamento empreendedor. A Estação do Biscoito não surgiu como alternativa para a crise. Ao contrário, é um sonho antigo da ex-assistente social Raquel Ramadan Oliveira Antoniasse. “Eu trabalhava o dia inteiro em uma empresa, e à noite, em casa, quase que como terapia, comecei a fazer biscoitos com uma amiga”, conta Raquel. “A gente testava receitas, buscava novidades, sempre preocupadas em manter o jeitinho caseiro de nossos biscoitos.”
Os primeiros clientes – amigos e parentes – trouxeram outros, o movimento foi aumentando e em abril do ano passado Raquel pediu demissão da empresa onde trabalhou por treze anos, e virou empresária. “Aluguei uma casinha de três cômodos no mesmo bairro onde eu morava, e produzia 4 quilos de biscoitos artesanais por dia, junto com uma auxiliar. Aí, resolvi procurar o Centro Incubador. Fui aprovada, formalizei a empresa e contratei outra funcionária. Hoje, produzimos o dobro de biscoitos por dia, e minha clientela já aumentou em uns 15%.”
Casada com um comerciante, com dois filhos, Raquel precisa conciliar a rotina da empresa com a vida em família. “Vale o sacrifício. Os meus problemas do dia-a-dia não são dificuldades, são desafios. São próprios da fase em que minha empresa está. Eu tenho que tentar superá-los, fazendo deles crescimento, para que lá na frente eu não cometa os mesmos erros”, diz Raquel, acompanhada do filho de sete anos, Gabriel.
Serviço:
Centro Incubador de Empresas de São José do Rio Preto - (17) 3234-5852
Site: www.cieriopreto.com.br