Voz da Experiência
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O imperador do açopor Francis FrançaItaliano humilde ergueu do zero grupo de empresas de ramos diversificados que fatura 5 bilhões de euros por ano
O fundador do Grupo Marcegaglia, hoje entre os maiores processadores mundiais de aço, era filho de um marceneiro humilde, mas quando lhe perguntavam o que queria ser quando crescesse, dizia que seria rei ou papa. Nascido durante a ditadura de Mussolini, Steno passou por um alistamento militar aos 10 anos de idade e foi encaminhado para uma academia que pretendia formar comandantes de batalha. Durante a Segunda Guerra Mundial, sua escola foi bombardeada, e ele voltou para a casa da mãe, que trabalhava com parentes, proprietários de um restaurante. Todos os dias, Steno percorria 40 quilômetros de bicicleta para ir à escola e, à noite, trabalhava com a mãe para ajudar nas despesas. Aos 18 anos, ganhou seu primeiro salário. Ele começou a trabalhar para a Aliança dos Camponeses, que lutava contra os donos das terras – era uma briga de miseráveis, segundo conta, já que os proprietários eram tão pobres quanto os próprios camponeses. Seu pagamento eram 20 mil liras por mês, o que hoje equivaleria a cerca de US$ 40. “Lembro que chorei quando recebi aquele dinheiro, porque pude comprar um par de sapatos novos e sentir a alegria de saber que nos meses seguintes eu poderia comprar uma roupa nova e talvez até uma motocicleta.” Pouco antes de completar 30 anos, Steno Marcegaglia tinha uma poupança de 1,5 milhão de liras, o equivalente a US$ 3 mil. Ele não tinha experiência nem qualquer qualificação especial, então aproveitou que morava perto de indústrias e começou a comprar fitas de aço que, com uma perfiladora, transformava em guias de janelas. Seus primeiros funcionários foram dois jovens, que ganhavam muito pouco, pois Steno não tinha condições de pagá-los regularmente. Além do trabalho duro e das condições precárias, Steno tinha que aturar a gozação de grandes empresários, herdeiros de empresas que produziam mil toneladas de perfis por mês, enquanto ele produzia apenas 100 toneladas. A oficina não tinha eletricidade, e as máquinas funcionavam com motores. Só que, enquanto os herdeiros de grandes empresas gastavam com casas e carros novos, Marcegaglia continuava como pobre empreendedor que reinvestia todo o dinheiro que ganhava. Para poder comprar equipamentos, usou dinheiro que não tinha. “Eu aproveitei leis que ajudavam os empresários de boa vontade e contraí dívidas enormes. Em cada pequeno banco eu pedia um pouco”, conta. Com o dinheiro, comprava novas máquinas e instalações, de forma que, depois de quatro anos de trabalho, pôde comprar um novo laminador e construir uma linha elétrica, e sua produção subiu para 4 mil toneladas por mês. Usando o orgulho e a ambição a seu favor, em poucos anos ele multiplicou dívidas, comprou novas plantas e sua produção saltou para 15 mil toneladas por mês. “Aqueles que riam de mim continuavam com mil toneladas por mês. Meus custos reduziam, e meus colegas grandes empresários continuavam gastando com bobagens em vez de aplicar dinheiro em suas indústrias”, diz.
Quando já tinha uma empresa consolidada, em 1982, Steno foi seqüestrado e mantido em cativeiro em uma cabana na região da Calábria, sul da Itália. Depois de 51 dias em poder dos seqüestradores, ele conseguiu escapar sozinho. Livrou a família das chantagens e do resgate de US$ 6 milhões exigido pelos bandidos. Quando voltou para casa, em vez de se recolher, voltou ao trabalho com vontade. “Outros empresários que passaram pelo mesmo problema e sobreviveram pararam de trabalhar, mas eu não: acelerei novamente para fazer a empresa crescer ainda mais.” Hoje, o Grupo Marcegaglia processa mais de 5 milhões de toneladas por ano. São 47 plantas espalhadas pelo mundo, com mais de 6,5 mil colaboradores, todos sob o comando de Steno. Segundo ele, dirigir um negócio deste tamanho exige entrega. “Quem não quer ter problemas deve escolher ser funcionário ou ter um pequeno negócio. Para ser grande, é preciso ter ambição, se comprometer e fazer do negócio a paixão da sua vida”, aconselha. Sua sorte foi que ele conseguiu envolver a mulher e os dois filhos nesse sonho, e transformou o Grupo Marcegaglia em uma empresa familiar bilionária. Seu filho Antonio, 44 anos, e sua filha Emma, 42, são seus parceiros na gestão da empresa, e também seu orgulho. “Ambos se formaram com nota máxima na universidade e são completamente comprometidos. Eles estão prontos para tocar a empresa ao longo do século 21.”
Boa surpresa A Marcegaglia do Brasil tem atualmente 550 funcionários, responsáveis pela produção de 240 milhões de metros de tubos para refrigeração, 7 milhões de condensadores para refrigeração e mais de 180 mil toneladas de tubo de aço carbono e inox. A produtividade surpreendeu Steno. “Uma vez pensei que o Brasil era o país do ‘oba-oba’, mas descobrimos que é um país de excelentes trabalhadores. Quando inauguramos, começamos produzindo tubos delicados e com diâmetro pequeno, para geladeiras, e tínhamos apenas camponeses inexperientes. Selecionamos alguns operários e conseguimos qualificá-los em pouco tempo, e eles agora são tão eficientes que outros empresários tentam tirá-los de nós”, afirma. Para manter os colaboradores motivados, Steno diz que não existe segredo, basta tratá-los bem e pagá-los de forma justa. Em 2010, será concluída a segunda fase de ampliação do grupo no Brasil. A planta total terá 110 mil metros quadrados de instalações e mais de mil funcionários. A produção saltará para 10 milhões de peças e 20 milhões de tubos para refrigeração, além de 200 mil toneladas de produtos siderúrgicos. A nova etapa prevê a construção de uma cidade inteira para as famílias dos colaboradores, a “Marcegaglia City”, com escolas e toda a infra-estrutura necessária para acomodar até 10 mil pessoas. A previsão é dobrar o faturamento, dos atuais R$ 515 milhões para R$ 1 bilhão em 2011. Tal qual a matriz italiana, a subsidiária brasileira reinveste todo seu lucro líquido, e pretende se tornar líder no segmento de tubos de aço no Brasil em breve. Em 2008, a expectativa é fechar o ano com produção 80% superior a 2007. Dentro de dois anos, o volume esperado deve passar de 300 mil toneladas por ano. Steno garante que continuará investindo para ampliar a produção, mesmo com o câmbio desfavorável. “O Brasil é um país 30 vezes maior do que a Itália, rico em matéria-prima e tem todas as premissas para receber nossos investimentos. Já identificamos muitos produtos e estamos fazendo pesquisas de mercado para investir.” Segundo ele, a empresa terá disponível um Ebitda (sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 60 milhões por ano para investir em novas empresas. Sua preocupação é prover capital inicial para colocá-las em movimento, pois depois, de acordo com ele, crescem sozinhas. Steno Marcegaglia persegue sempre o lucro, não pelo dinheiro, que ele já tem bastante, mas para ser grande. “Continuamos realizando grandes feitos. E às vezes reencontro aqueles velhos empresários que riam de mim quando comecei. Vejo-os vendendo em quilos, enquanto nós vendemos toneladas.” Bússola Empresarial O que fazer: O que não fazer: Linha Direta Steno Marcegaglia: 39+0376-685-1 / www.marcegaglia.com |
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