Por conta da queda nas exportações, as grandes indústrias sentiram as consequências negativas da crise global primeiro. Agora, é a vez das pequenas. A análise é do gerente de pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Renato da Fonseca.
Segundo ele, ainda no primeiro trimestre deste ano, os efeitos para as empresas de pequeno porte serão sentidos.
"Não significa que as pequenas empresas não sentiram nada, apenas que as grandes sentiram mais fortemente os efeitos até aqui. Mas as pequenas também irão sentir, porque muitas delas são fornecedoras das grandes. Elas estão na cadeia de produção", afirmou ele à Agência Brasil.
Baixa demanda
A queda da demanda e a inadimplência dos clientes estão entre os principais problemas citados pelos industriais, ao lado da alta carga tributária, que, historicamente, é indicada como item número um dos gargalos. Empresas de todos os portes estão insatisfeitas com a margem de lucro e reclamaram da dificuldade de acesso ao crédito.
Os setores de atividade mais são afetados são os de veículos automotores, metalurgia básica, couros e borracha, que registraram crescimento menor de 30 pontos - o indicador varia de zero a cem, sendo que, quando está acima de 50, denota crescimento setorial.
Os setores de bebidas, limpeza e perfumaria, além de vestuário, foram os únicos que apresentaram crescimento, com indicadores acima de 52 pontos. Ainda segundo Fonseca, esse crescimento tem influência sazonal, já que o período que antecede as festas de fim de ano favorece a compra de bebidas e roupas.