Perfil
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Patrão de Sipor Francis FrançaMovido pelo desgosto de ser mandado, jovem juntou a pouca experiência e um fusquinha usado para investir numa oportunidade de negócio
Quando tomou a decisão de ser empresário, em 1975, tudo o que Bortoncello tinha era um Fusca vermelho, ano 1968. Ele havia trabalhado durante quatro anos em uma transportadora, como auxiliar de escritório, vendedor, cobrador ou qualquer função em que fosse necessário. “Era uma empresa pequena, a gente tinha que fazer de tudo um pouco, era ‘pau-pra-toda-obra’ mesmo”, conta. Ele pegou o que tinha – o fusquinha e a experiência na área de transportes – e trabalhou para começar seu negócio. Vendeu o Fusca, que valia na época 12 mil cruzeiros, investiu 10 mil para dar entrada em uma Kombi (financiou o resto em 24 vezes) e 2 mil usou para comprar material de escritório, móveis, máquina de escrever e de somar. Farroupilha (RS), onde morava, era um pólo industrial de produção de malhas, calçados e confecções, e as empresas tinham pouco espaço para guardar seus estoques. As transportadoras que levavam os produtos aos pontos-de-venda buscavam a carga apenas duas vezes por semana, e Bortoncello percebeu a brecha que seria a sua oportunidade. Passou a recolher os produtos nas fábricas com sua Kombi e levar para um depósito alugado, onde as transportadoras buscavam a carga. “Trouxe benefícios para todos. Para as indústrias, que não precisavam estocar material; para as transportadoras, que tinham menos custos ao buscar tudo em um lugar só, em vez de passar de porta em porta; e também para mim, que ganhava pelo serviço prestado”, explica. Plínio Bortoncello tinha bom relacionamento com os fabricantes da cidade e seu negócio prosperou com facilidade. “Eu conhecia muita gente, e todos confiavam suas cargas a mim, nunca tive nenhum problema”, diz. Já no segundo mês de trabalho, ele precisou comprar uma segunda Kombi. No terceiro mês, foi a vez de investir em uma linha telefônica e, no quarto mês, ele comprou um pequeno caminhão. “O serviço me atropelou”, brinca. O conhecimento para administrar sua própria empresa ele adquiriu na escola. Na época, quando chegavam ao ensino médio, os estudantes podiam optar por cursar disciplinas do científico ou do comércio. Bortoncello ficou com a segunda opção e aprendeu sobre contabilidade. O resto veio com a prática. Chegou a prestar vestibular, mas, com o crescimento do negócio, teve que trancar a matrícula. Depois do crescimento exponencial do início, o negócio se equilibrou e foi ampliando paulatinamente. No começo, a Transportadora Plimor era uma empresa regional, e Bortoncello sentiu a necessidade de expandir os serviços para atender todo o Estado do Rio Grande do Sul. “Eu ia vender serviços em uma determinada fábrica ou transportador e ouvia muito: ‘Vocês têm que atender todo o estado, eu não posso contratar uma empresa para cada trecho’. Então começamos a abrir unidades para ficar mais fácil de vender nosso trabalho”, conta.
Segundo Bortoncello, o desenvolvimento foi gerido com sensibilidade e um pouco de intuição. “Em vários momentos de nossa trajetória eu percebi que precisava fazer coisas diferentes, abrir filiais, abastecer as fábricas com matéria-prima. Tive diversas oportunidades no meu caminho.” A unidade na capital paulista foi aberta em 1996, mas só em 2007 a empresa completou a cobertura em todo o Estado de São Paulo. Uma unidade em Campinas foi aberta aproveitando o fechamento da Transportadora Ouro e Prata, e, mais tarde, a empresa chegou a Bauru, cidade com localização estratégica, no centro do estado. Outra oportunidade bem aproveitada foi a chance de abrir uma filial na Argentina – a carga passou a ser concentrada na fronteira, em Uruguaiana (RS), e depois transferida para o país vizinho. Apesar de ter transformado a Plimor em uma transportadora independente, Bortoncello nunca desistiu de ser parceiro de outras empresas como prestador de serviços. Atualmente, tem alguns convênios com empresas do Nordeste e Centro-Oeste do País. “A Transportadora Plimor atende de São Paulo para baixo, mas o Brasil é muito grande, temos clientes que entregam carga para o País todo, então contamos com empresas correspondentes.” O período mais árduo na trajetória da Plimor foi a Era Collor, no início dos anos 1990. “A gente não sabia para que lado ia, não tinha controle dos custos, porque mudava muito rápido. Íamos dormir e, quando acordávamos, o combustível estava 20% mais caro; aí até repassar a alta para os clientes já tínhamos perdido muito dinheiro”, lamenta. O resultado dos anos de inflação alta foi uma cadeia de prejuízos que levou anos para ser recuperada. A Transportadora Plimor é especializada em carga fracionada, isto é, pacotes pequenos e frágeis. Os principais segmentos em que atua são eletroeletrônicos, e-commerce, têxteis, medicamentos, farmacêuticos, cosméticos e calçados. O perfil da carga, no entanto, nem sempre foi “nobre” – como é conhecido no setor. No início, a empresa transportava bens de menor valor, como óleo, tintas e embalagens, e Bortoncello concentrou esforços para mudar o foco do negócio. Foi preciso fazer mudanças físicas e também na cultura da empresa. “Como passamos a transportar cargas mais leves, não precisávamos de implementos pesados, como empilhadeiras, depósitos, carretas de três eixos”, explica. Hoje, a empresa chegou ao patamar programado por Bortoncello, e agora basta colher os frutos. A expectativa é ampliar o faturamento em pelo menos 35% até 2010, além de implantar melhorias nos processos internos de conferência, cadastramento e entregas. Também serão comprados veículos mais leves, para adaptar a empresa ao perfil de cargas nobres. A Transportadora Plimor completou 33 anos de mercado em 2008, com 240 veículos próprios que percorrem cerca de 1,5 milhão de quilômetros e realizam mais de 120 mil entregas por mês. Quando fala sobre os fatores que o levaram aos bons frutos que colheu, Bortoncello é modesto: “Não sei se é bem sucesso, porque afinal são 33 anos de trabalho, mas o importante é estar sempre atento às oportunidades e tomar as atitudes necessárias”. Segundo ele, oportunidades há em qualquer ramo. Cabe ao empreendedor enxergá-las e, principalmente, saber o que fazer com elas. Idade: 58 anos 1950 - Nasce Plínio Bortoncello |
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