Voz da Experiência
19/09/2008 17:04
tamanho do texto

Professor Aprendiz

por Andréa da Luz

O empresário adquiriu experiência em uma pequena empresa e depois criou um dos maiores grupos brasileiros de treinamento em TI

Foto: Divulgação | O empresário Célio Antunes de Souza aprendeu cedo a valorizar o dinheiro e a desenvolver um espírito empreendedor. Quando criança, o fundador do grupo educacional Impacta Tecnologia e vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de TI (Assespro/SP) era remunerado por pequenos trabalhos prestados ao pai, como engraxar sapatos ou juntar as bolinhas durante jogos de tênis. “Cada pequeno serviço que eu fazia, ganhava um certo valor, não havia mesada gratuita”, conta. Hoje, Souza deixa transparecer um ar de satisfação e tranqüilidade ao falar de sua trajetória no mundo dos negócios. E com razão: construiu um empreendimento sólido e impressionante. A Impacta, criada em 1988, tornou-se uma das maiores empresas de treinamento em tecnologia no Brasil, ocupando oito andares de um edifício na Avenida Paulista, no coração de São Paulo. Atualmente, o grupo está dividido em três unidades: Educação Continuada, Educação Acadêmica (composta pela Faculdade e Colégio Impacta Tecnologia) e Itacorp Consultoria Estratégica de TI & Gestão. Oferece uma linha completa de treinamento profissional em áreas como internet, intranet, redes, e-commerce, banco de dados, CAD, desktop publishing, metodologias de desenvolvimento, multimídia, vídeo digital, web design e telecomunicações, entre outros.

Formado em Engenharia Eletrônica pela Universidade Mackenzie e pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV/SP, Souza preferiu tornar-se empreendedor por vias menos comuns do que a maioria das pessoas. Ao terminar a faculdade, buscou uma empresa bem pequena e com pessoas de alta formação para trabalhar. “Enquanto meus colegas foram para a IBM e outras grandes corporações, escolhi a menor empresa possível com bom potencial de crescimento e boas cabeças porque queria aprender a empreender.” A estratégia deu certo. Ele começou em uma minúscula fábrica de computadores em uma sala de 25 metros quadrados em Diadema (SP) que, anos depois, se tornou a maior indústria de computadores do Brasil – a Microtec. “O negócio pertencia a um ex-professor e os sócios eram um ph.D. em microeletrônica e outro ph.D. em software, e o diretor administrativo-financeiro vinha da indústria automobilística e sabia tudo de administração”, afirma Souza.

Foram oito anos de aprendizado, passando por quase todos os setores técnicos e administrativos, mas sempre com a idéia de ser dono de sua própria empresa. Durante esse tempo, fez o MBA em Administração e pensou em um nome que pudesse representar uma marca forte para seu negócio. “Eu nem sabia que tipo de empresa queria ter, mas sabia que precisava de uma marca forte”, revela. Foram cerca de dez idas e vindas ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi) para tentar o registro de marca. “Todas já existiam. Então, um dia dei um soco na mesa e pensei: preciso de um nome para impactar o mercado. Daí surgiu o nome Impacta”, conta. Ele foi correndo ao Inpi e descobriu que só existia uma metalúrgica com esse nome. “Rapidinho tratei de abrir minha empresa, registrando-a em várias classes porque não sabia ainda o que fazer: educação, fabricação, assistência técnica.” O passo seguinte foi criar o logotipo, o que levou um ano e meio. “No MBA fiz estudo de marcas, conversei com várias pessoas da área de marketing e até místicos, e percebi que as marcas de sucesso tinham um nome forte e uma figura em primeiro plano”, diz. Com esses conceitos em mente, criou o logo da Impacta, que permanece o mesmo nesses 20 anos.

Primeiros passos

Foto: Divulgação | Ainda sem saber que caminho seguir, Souza comprou um armário de aço, levou para o apartamento e foi montando toda a parte burocrática da empresa (contrato social, documentos de registro da marca, etc.). “Aqui no Brasil ninguém se prepara para isso. As pessoas pegam o FGTS e abrem qualquer negócio, não se dão conta de que esse processo é moroso, leva seis meses para conseguir tirar uma nota fiscal, por exemplo”, afirma. “Enquanto isso, elas já estão gastando com aluguel, IPTU e outros custos e acabam morrendo na praia”, acrescenta. Comprou também bancadas, osciloscópio, solda, documentação de hardware e software e deixou tudo no apartamento. “Tinha tudo que era preciso para montar um laboratório completo que serviria tanto para manutenção quanto para consultoria.” Com a casa cheia, percebeu que já era possível montar uma assistência técnica para conserto de placas e circuitos, mesmo sem sair da Microtec. “Eu já sabia que não era um negócio de muito futuro porque o tamanho dos circuitos tendia a diminuir e as pessoas em breve começariam a descartar as placas em vez de consertá-las”, relembra. Mesmo assim, alugou uma sala de 6 metros quadrados no bairro paulistano Vila Olímpia e começou a prestar serviço para outras empresas de assistência técnica maiores. “Esse negócio me deu uma dor de cabeça enorme porque a mão-de-obra era escassa, meus funcionários tinham outros empregos e só vinham à noite – quando apareciam –, e eu não conseguia entregar os serviços”, conta.

A solução foi mudar de rumo. Por sugestão de um ex-colega de trabalho, abriu uma escola de treinamento para formar técnicos em TI. Animado, mas cauteloso, Souza resolveu testar o mercado primeiro. “Aluguei uma sala na Avenida Paulista, com mesa, cadeira e fax e desenvolvi folhetos para divulgar o curso da minha escola. Encomendei 120 mil folhetos na gráfica para pagar em 90 dias e fui distribuir na saída da 1ª Fenasoft”, diz. “Várias pessoas ligaram, interessadas, até que apareceu um cara lá na sala querendo saber onde seriam as aulas e a moça que contratei disse ‘o curso é aqui’, mas não tinha nenhum equipamento lá e ele foi embora assustado, achando que era um golpe.” Para resolver o problema, o empreendedor alugou uma perua e levou tudo que tinha, incluindo uma biblioteca especializada, mas faltavam equipamentos. “Comprei mesas e cadeiras usadas com cheques pré-datados e fui ao almoxarifado da Microtec para ver se me davam alguns equipamentos que não funcionavam mais. Enchi a perua até a boca com umas 400 CPUs, teclados e monitores, comprei prateleiras e enchi a sala com tudo aquilo para as pessoas verem que tinha alguma coisa lá, mas nenhuma máquina funcionava”, revela. “Quem olhava aquilo se impressionava”, acrescenta. O resultado veio rápido. Com as primeiras matrículas, ele comprou 12 computadores e as aulas finalmente começaram.

Hoje, a empresa forma cerca de 3 mil alunos mensalmente, em 128 laboratórios de aula. “Nunca quis ser apenas uma escolinha de informática. Quando aluguei aquela salinha na Paulista já pensava em me tornar uma universidade.” Por isso, depois de 15 anos no mercado, Souza resolveu inovar mais uma vez e criar a Faculdade Impacta (FIT). “Eu queria a melhor de todas, então a consultoria que contratei me disse que eu precisaria contratar os melhores cérebros do Brasil”, explica. “Fui procurar na Engenharia de Computação da Poli, na USP, e o coordenador me ajudou a prospectar o corpo docente adequado”, diz. Na Poli, Souza conheceu o professor Valdéres Pinheiro, que desenvolvia uma tese de doutorado sobre um projeto de escola virtual nos moldes que ele queria para a Impacta, e acabou se tornando o coordenador da FIT. Foram quatro anos para achar o prédio adequado, contratar professores, desenvolver os cursos e colocar o projeto em funcionamento. Os 1,8 mil alunos têm tudo disponível na web. Embora as aulas sejam presenciais, é possível baixar o conteúdo em iPod ou acessá-lo na CDteca da faculdade. Souza também criou certificação, metodologia e materiais próprios, reduzindo os custos de pagamentos de royalties a empresas estrangeiras que chegavam a R$ 200 mil mensais. “O mercado de TI está entrando em colapso porque há uma grande carência de mão-de-obra técnica com alta formação, e foi exatamente nesse nicho que a Impacta se posicionou”, afirma Souza, com a visão e perspicácia de sempre.

Bússola Empresarial

O que fazer

- Não demorar muito para abrir uma empresa (quanto mais velho menor a vontade de correr riscos)
- Pensar grande, mas com os pés no chão
- Só arriscar se tiver certeza (pesquisar e planejar)
- Trabalhar com cautela
- Tratar todos de forma igual

O que não fazer

- Não assinar contratos sem ler
- Nunca prometer o que não pode entregar
- Procurar oferecer a melhor qualidade, mesmo que num primeiro momento você perca
- Não prejudicar ninguém, pois o troco sempre vem de forma muito rápida

Célio Antunes de Souza
Local de nascimento: São Roque (SP)
Formação: Engenharia Eletrônica e MBA em Administração
Empresa: Grupo Impacta
Ramo de atuação: Treinamentos em TI e Design
Ano de fundação: 1988
Cidade-sede: São Paulo
Número de funcionários: 160 funcionários e 300 colaboradores nas unidades de ensino

Linha Direta:

Célio Antunes de Souza: (11) 3254-2200/ www.impacta.com.br


Versão para Impressão      Enviar por email
Comentários
COMENTE

Newsletter

Receba as principais novidades por e-mail.


Indicadores

Dólar Comercial
04.02.2012 14:15

Compra 1.7330
Venda 1.7350
Ibovespa +0.63
14/10/2011 54947

Mais Indicadores