Reportagens
06/11/2008 14:35
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Quem quer um executivo de presente?

por Laerte Cordeiro

 Alguns seria até ótimo ganhar de presente! Outros, nem de presente se gostaria de ganhar. E se fosse possível escolher? Como seria o executivo desejado e qual o que não se quereria nem de presente?

O “Mais Querido”

Como seria essa figurinha carimbada, presente em todos os sonhos do presidente e do diretor de Recursos Humanos de qualquer empresa? Que atributos e competências teria a oferecer para ser aquele que se desejaria ter na empresa, mesmo que custasse caro e não fosse de presente?

Qualquer empresa mais atualizada teria algumas exigências mínimas quanto ao perfil desse “Mais Querido”:  Uma graduação e um MBA em boas escolas; inglês fluente; talvez com um bom espanhol; usuário qualificado no uso do Pacote Office e de ERPs; com bom trânsito em seu meio profissional; alguma exposição a países do exterior; jovem, mas suficientemente experiente; de vida estável e saudável e assim por diante.

Dentre suas competências gerenciais o “mais querido” teria qualidades de liderança, bom relacionamento pessoal, criatividade, coragem decisória, comunicação, capacidade de negociação, flexibilidade, bom senso, visão geral e pensamento estratégico, numa lista de ativos profissionais que não se esgota. No mais, o candidato ideal certamente teria o seu plano pessoal de carreira, com um foco bem definido sobre o que pretende alcançar e sobre o que quer fazer, no tempo. 

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O “Nem de Graça”

Assim como se pode definir um perfil de excelência para o “Mais Querido”, não será, talvez, muito difícil, imaginar como seria o executivo que ninguém quer, nem de presente!

Certamente, a lista de “atributos” do “Nem de Graça” iria incluir coisas objetivas como uma graduação em escola pouco conhecida, sem esforço maior para ampliar a escolaridade; o pouco interesse por cursos de aperfeiçoamento de curta duração; um conhecimento pobre na área da tecnologia da informação; pouca ou nenhuma capacidade de comunicação em outra língua que não o português; reduzido interesse por estabelecer e manter um bom “network” de relacionamento; pouca informação cultural sobre o que ocorre em outras áreas do planeta; confiante, às vezes, na sua antiguidade na empresa onde está ou de onde vem; um profissional que adora a sua “zona de conforto” e que não tem um motorzinho interno que o faz arriscar e procurar soluções novas com empenho.

Se aplicássemos nele um inventário de competências gerenciais, o nosso “nem de graça” provavelmente teria notas baixas em inúmeras qualidades e capacidades da lista: o seu “drive” (energia vital, força, vontade) seria fraco ou abafado, a sua iniciativa e proatividade reduzidas, a sua capacidade decisória moderada, pouco empreendedorismo, dificuldade para negociação e persuasão e, talvez, pouca autoconfiança, entre outras deficiências do nível de competência.

Pior do que isso, o nosso “nem de graça”, poderia ser aquele profissional que às vezes fez carreira em uma ou mais empresas, mas sempre se valendo de situações ou circunstâncias que o faziam dar-se bem na sua trajetória sem sobressaltos. Aquele que viveu em “brancas nuvens” no dizer do poeta e que vem rolando feito pedrinha descendo a montanha. Embora leal e dedicado, terá dificuldade em adaptar-se a empresas diferentes daquelas em que trabalhou e pode ficar evidente, logo, que não terá sido uma boa aquisição.

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Um “Bom Presente”

Na verdade, a maioria dos profissionais que se apresenta no mercado e nas empresas não é em geral o “Mais Querido”, mas também não é o “Nem de Graça”. Ambos, obviamente, são figuras que se encontram na praça, aqueles muito procurados e pagos a preço de ouro e estes, buscando e quase sempre, com muita dificuldade, acabando por encontrar lugar em alguma organização.

O “Bom Presente”, uma terceira opção, será sempre aquele que junta as virtudes médias dos dois modelos extremos, encontra compatibilidade com a cultura organizacional da empresa na qual ingressa, procura atualizar-se, é dedicado e leal e pode, com ajuda da organização, caminhar cada vez mais para o lado dos “Mais Queridos”.

A empresa a quem se ofereça um executivo de presente cabe sempre caracterizar o que está ganhando. Óbvio que seria bom se a gentil doação fosse de um “Mais Querido”. Ninguém quer um “Nem de Graça, mas um “Bom Presente” pode ser muito ótimo ganhar. Até mesmo porque não só de  “mais queridos” se faz o sucesso de qualquer organização.

Laerte Leite Cordeiro é consultor Sênior de Hunting, Outplacement e Coaching da Laerte Cordeiro Consultoria.

Mais informações: www.laertecordeiro.com.br




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