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Solução naturalpor Francis FrançaEx-executivo largou a vice-presidência do Banco Real para dedicar tempo integral à sustentabilidade e investir em produtos de limpeza orgânicos
José Luiz Majolo conheceu os terpenos quando ainda era vice-presidente do Banco Real ABN AMRO e comandava os projetos de sustentabilidade do banco. Ele havia construído uma pousada em 2002 para comprovar o que dizia a seus acionistas: que é possível trabalhar seguindo a cartilha da sustentabilidade e ainda assim ter sucesso nos negócios. A pousada, que fica em Piedade (SP), não derrubou uma árvore sequer para ser construída, utilizou apenas material de demolição. A comida é orgânica, todos os funcionários recebem direitos trabalhistas, há coleta seletiva para o lixo e tratamento de efluentes. E o negócio é, sim, lucrativo. Como não se usam produtos químicos na limpeza, começou a aparecer mofo nos chalés. Fátima, gerente da pousada e esposa de Majolo, contratou a empresa Higiene Natural, do pesquisador Maurício Castro, para tentar acabar com os fungos. Com os produtos à base de terpeno na higienização orgânica, o mofo nunca mais incomodou, e Castro tornou-se fornecedor permanente. Quando conheceu Majolo, o pesquisador foi contratado para um projeto de purificação do ar no Banco Real que também deu bons resultados. Depois de 35 anos de trabalho no banco, Majolo decidiu deixar a vida de executivo – estava cansado de grandes companhias. “A gente fala em sustentabilidade, mas passa 90% do tempo apagando incêndio de burocracia organizacional. Eu queria dedicar 100% do meu tempo à sustentabilidade, então achei que estava na hora de sair do banco”, conta. Pouco tempo depois, Majolo cruzou novamente por acaso com Maurício Castro na pousada e perguntou como estavam os negócios. As coisas não iam muito bem. “Ele disse que estava complicado, porque ele era pesquisador, não tinha a visão de empreendedor e financista, não era o que ele gostava. Então me ofereci para ajudar.” Um mês depois, Castro convidou Majolo para entrar na sociedade com ele e Raul Correa, professor da UFC e criador da molécula. “Majolo se apaixonou pela nossa tecnologia e entrou como investidor, e graças a ele hoje existe a TerpenOil”, diz Castro. Com esse nome, nasceu em 2007 a nova empresa de produtos à base de terpeno. A Higiene Natural continuou como um das marcas, focada em produtos de limpeza. Os novos sócios decidiram investir também na área de desengraxe industrial e purificação do ar. Escolhida a base de produtos, a primeira coisa a ser feita era comprar a patente da tecnologia na universidade, depois fazer testes para aprovar os produtos na Anvisa, cuidar de documentação e deixar tudo pronto para um mercado profissional de grande escala. Em menos de dois anos, a TerpenOil já vende para gigantes como Caterpillar, Whirlpool, Honda e para as maiores empresas de limpeza do Brasil.
Parcerias Segundo Majolo, o plano é consolidar a TerpenOil no desenvolvimento de tecnologia e vender exclusivamente para outras empresas. “Quem vai para o mercado são nossos parceiros. Fornecemos o blend básico e se eles quiserem fazer um produto para o varejo, não tem problema nenhum”, explica. Entre os parceiros está a Allis, um dos maiores grupos de limpeza e serviços do País, que leva os produtos orgânicos a clientes como Gerdau, Siemens e Coca-Cola. “A TerpenOil é uma empresa com muita inteligência e com uma tecnologia que nos traz muitos benefícios operacionais”, diz Alberto Khzouz, diretor comercial da Allis, que já utiliza os produtos à base de terpeno em 1,4 mil pontos dos bancos Santander e Real, no interior de São Paulo. A TerpenOil tem atualmente 20 colaboradores que trabalham diretamente no desenvolvimento de novas soluções. A base do produto é comprada pronta da UFC, e o acabamento – como envase, rótulos, etc. – é feito por empresas terceirizadas. A matéria-prima para a produção dos terpenos vem principalmente de compostos presentes na laranja e no pinus, ambos abundantes na indústria brasileira, tanto de suco quanto de celulose. Por enquanto, a TerpenOil compra por mês cerca de 5 mil litros de terpeno. Os resultados já começaram a aparecer. A empresa vende o equivalente a R$ 250 mil mensais. A meta é chegar a R$ 2 milhões ao longo de 2009. O crescimento é calculado em novos contratos e na ampliação dos atuais. “Alguns clientes estão comprando nossos produtos para 5% de suas plantas, e nos dizem que depois de implantar em 100% no Brasil vão nos levar para o resto da matriz mundo afora. Teremos que criar a infra-estrutura para um crescimento exponencial”, afirma Majolo. Para ele, a responsabilidade socioambiental faz parte da estratégia de administração do século 21 e vai muito além de uma visão idílica de preservação. “As pessoas acham que devemos pensar de maneira sustentável porque devemos ser bons. É claro que todo mundo tem que ter ética, tem que ser bom e honesto, mas isso é condição. Precisamos nos dar conta é de que essa é realmente a melhor maneira de administrar negócios.” Pensando nisso, a TerpenOil cuidou de garantir que seu crescimento seja diretamente proporcional ao da sustentabilidade. José Luiz Majolo Contato: (11) 4582-8351 |
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