Reportagens
14/04/2008 14:28
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Você está preparado para ganhar mais e custar menos?

por Paulo C. A. Benetti

Especialistas estão chamando a atenção. Pesquisas estão mostrando as dificuldades a serem enfrentadas. Estamos vivendo na Era da Criatividade que contém em si a destruição criativa. Países avançados ou não estão tomando providências. As pessoas e as empresas estão começando a ter prazos de validade, tal qual produtos de supermercado. Afinal o que fazer? Quais são os verdadeiros desafios? Vamos esperar a teoria de Darwin ter razão mais uma vez?

Há algum tempo, 1996, John Kao, um misto de consultor, palestrante, fundador de empresas e professor convidado das universidades de Harvard e Stanford, lançou um livro sobre criatividade. “Jamming” é o nome do livro, numa alusão ao momento em que os músicos de jazz têm muita liberdade para criar dentro de uma música que está sendo tocada. Nele Kao defende firmemente que estamos na Era da Criatividade.

Isto quer dizer, no ambiente da gestão empresarial, que a Era da Criatividade agrega valor, novo conhecimento, ao que chamamos de Era do Conhecimento. Uma das observações de Kao para chegar a esta conclusão é a necessidade das empresas reinventarem a si mesmas a todo tempo.

Quatro anos mais tarde Vicent Nolan, professor no Reino Unido e ex-chairman do grupo Synectics, lançou uma coletânea de trabalhos com o objetivo de discutir a importância da criatividade na educação. Melhor dizendo, o ensino da criatividade na educação formal. Este livro “Creative Education – Educating a Nation of Innovators” propõe discutir a defasagem das escolas com relação ao ensino ou ao estímulo da criatividade aos seus alunos.

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E não bastasse isto, em 2003, dois especialistas da McKinsey, Richard Foster e Sarah Kaplan, lançaram um livro, na realidade um relatório, sobre pesquisa que fizeram sobre trinta e seis anos de vida de mais de mil empresas nos Estados Unidos.

O livro, já traduzido no Brasil, “Destruição Criativa – Por que empresas feitas para durar não são bem-sucedidas”, é contundente ao mostrar que o tempo médio de permanência das empresas na lista das 500 maiores dos EUA está caindo de 65 anos para 10 anos. Mais. A previsão para 2020 é a de que 75% das maiores empresas serão formados por organizações que não conhecemos hoje.

É a vitória da tese do economista Joseph Schumpeter que, na década de trinta, cunhou a expressão “ventos da destruição criativa” ao analisar a vida e morte das empresas em decorrência da ação do mercado financeiro; ou seria imobiliário?

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Tudo isto quer dizer que estamos em uma efervescência da atividade criativa nas organizações. Nunca se criou tanto, e nunca as palavras criatividade e inovação foram tão usadas. Estão não somente mudando comportamentos, mas as condições de vida de todos nós. A onda está chegando ao Brasil, assim como outras chegaram. Aqui percebemos as coisas rapidamente, mas tomamos providências lentamente. Um dia vamos ver a importância disto e vamos fazer um trabalho sério e para valer.

Uma grande preocupação minha é que corremos sempre o risco de ir a reboque do reboque da história. E esta onda avassaladora pode varrer muitas pretensões para longe. Preocupa-me muito a teoria de Darwin, a da sobrevivência dos mais adaptados. Cada vez mais ela está mostrando a sua importância no mundo moderno, confirmada que é pela observação de Schumpeter e pelo relatório citado. Se não tomarmos providências urgentes não vamos nos adaptar à Era da Criatividade.

Nos Estados Unidos e na Europa existem vários centros dedicando-se ao estudo da criatividade e da inovação, propondo novas abordagens, técnicas e métodos. Já existem empresas cujo negócio é vender idéias, tornando-as um produto com o objetivo para se obter lucro. A Inglaterra tomou uma providência em suas escolas do ensino básico, aqui chamadas de primeiro grau. A partir de 2004 a prioridade das escolas primárias naquele país é o desenvolvimento da criatividade. Está tomando o caminho de uma nação de inovadores como pediu Nolan.

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Em 2005 colaborei na fundação da primeira escola de facilitação em criatividade e inovação na América Central. Um projeto que começamos em 1999 na Espanha. Na Guatemala cinqüenta estudantes, que vão se formar professores da rede primária, estão se preparando para serem facilitadores em criatividade e inovação junto a populações pobres, ajudando-as a sair, a partir de suas próprias capacidades, da terrível pobreza. Trata-se do primeiro projeto desta natureza no mundo. Evidentemente bancado por governo e fundações de países avançados.

Minha experiência como consultor em criatividade e inovação mostra que as organizações no Brasil estão começando a se interessar pela criatividade como uma aliada no seu crescimento. E da forma como preconiza Jerry Hishberg, fundador da Nissan Design International que disse: “A criatividade é o principal papel dos negócios. Quando a criatividade é priorizada como um princípio das organizações nos negócios, não somente as inovações são incrementadas mas, também, a produtividade, a eficiência, a qualidade, o espírito de equipe e as vendas”.

Ao sair da Era Moderna para o que chamamos de Era Pós-Moderna vimos que, na primeira, o que persistia era o padrão, o paradigma, a semelhança. Acabou. A segunda está nos dizendo que não existe mais padrão, paradigma e semelhança. O que vale é novo. Não vale mais copiar. Benchmarking é alguma coisa que devemos procurar não mais para copiar, mas para passar à frente. Outro dia dizia em uma palestra o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, que temos de ser Benchmarking em todas as áreas. Ser isto quer dizer estar na vanguarda da gestão empresarial. Para isto é necessário usar grandes doses de criatividade.

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Pela primeira vez na história estamos assistindo as pessoas e as empresas terem prazos de validade. Isto mesmo! Da mesma forma que vamos ao supermercado e olhamos o prazo de validade de um produto e aceitamos ou não, agora temos isto com relação a nós mesmos e às empresas para quais trabalhamos. Os profissionais serão vistos, cada vez mais, pelas empresas que nos contratam ou pelo mercado pela capacidade de suplantar os ventos da destruição criativa e tornar as organizações adequadas ao seu tempo. E isto muda muitas coisas na nossa vida. Saímos de um prazo de validade longo, como poucas décadas atrás, em que uma pessoa se formava e conseguia sobreviver quase toda a vida com aquele conhecimento adquirido na universidade, para uma situação de produto perecível. E a velocidade está de tal forma, que até bem pouco tempo ainda podíamos contar o nosso prazo de vencimento em anos. Agora não mais. É bem possível que vamos entrar em breve na mesma velocidade das hortaliças. Por isto proliferam os locais de educação continuada, embora muitos deles estejam, na realidade, oferecendo aquilo que deveriam dar na graduação, e deixando de oferecer o que pode representar um grande diferencial na competitividade: a criatividade e a inovação.

As empresas não estão mais privilegiadas que as pessoas. Se não forem agressivamente inovadoras o mercado financeiro fará a destruição delas. Se não apresentarem novidades aos clientes, serão abandonadas. Haverá sempre espaço para um concorrente ocupar ou para fazer uma aquisição.

Por outro lado temos visto um grande movimento por parte de profissionais e empresas em torno da Gestão por Competências e Gerenciamento do Conhecimento. São temas interessantes e fundamentais para as organizações e até para os países. Entretanto, “há algo de podre no reino da Dinamarca”. A primeira observação é que na questão da gestão por competências, esquecem-se de que a maior e mais importante competência é a de criar novas competências. E é isto que está colocando os profissionais aturdidos. Pensam eles que adquirida uma competência o resto está resolvido. Ledo engano. O profissional terá que criar cada vez mais novas, melhores e diferentes competências para si. A segunda observação é a de que nos programas de gerenciamento do conhecimento não temos visto a principal dimensão: A da criação de novos conhecimentos. Ou seja, o desenvolvimento da criatividade e da inovação na organização para que ela não venha sucumbir às forças do mercado.

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Assim, o grande desafio profissional atual é como ganhar mais custando cada vez menos. O grande desafio empresarial é como produzir cada vez mais inovações revolucionárias, que são aquelas que trazem maior retorno. Todas a organizações deverão montar um algoritmo com estes dois desafios para determinar o seu crescimento constante.

Numa escala maior temos visto no país uma grande discussão a respeito das Reformas da Previdência e Tributária. Por certo elas são fundamentais para colocar o país em marcha, para resolver problemas de caixa e de investimentos e colocar nossa economia mais arrumada. Elas permitem uma melhora substancial neste paciente que está com grandes dificuldades. Elas resolvem o problema do bolso, mas não do cérebro. E é este que tem capacidade de fazer o crescimento sustentável. Riquezas são conseguidas quando o país consegue criar conhecimento e disponibiliza-lo para o seu crescimento.

Logo, a reforma mais importante que nós temos a reclamar é a da educação. Seja em casa, na escola, ou na empresa, temos que tomar providências sérias no sentido de melhorar e revolucionar a educação que é hoje disponível aos profissionais brasileiros. Sob pena de, mais uma vez, termos problemas com a teoria de Darwin. Somente esta reforma terá chance de criar uma economia sustentável para nosso mercado.

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E neste caso as empresas têm um papel fundamental. Pois elas podem liderar todo o processo. Elas podem orientar os profissionais para onde caminhar e, estes, as suas escolas. Estas além de dar uma formação ampla, saberão a direção a ser dada aos seus cursos regulares. Terão que revolucionar a forma como ensinam hoje. Ao invés de procurar a resposta certa para um problema, deverão lutar para que os alunos saibam como procurar novas respostas para o mesmo problema.

Podemos todos, de certa forma, ajudar as escolas sintonizarem-se com o futuro e desenvolver capacidades e habilidades que realmente tragam resultados. Que permitam as pessoas realizarem-se pessoalmente.

Não existe milagre neste caminho. O que precisamos é de muito esforço e persistência. Temos condições de mudar para muito melhor. Temos condições de revolucionar tudo isto que está aí. Mas, por favor, vamos começar logo porque a história não vai ficar parada esperando a nossa participação.

Paulo C. A. Benetti é consultor sênior do Instituto MVC e autor do livro *Mitodologia: Pessoas e Empresas Criativas e Inovadoras*.





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