Entrevista
01/02/2010 10:46
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Em boas condições

por Beatrice Gonçalves

Brasil supera bem o período de crise mundial, o que permite a empresas de diferentes áreas expandir atuação no comércio internacional

| Os avanços econômicos e sociais registrados no País nos últimos anos fizeram com que o Brasil se tornasse mais competitivo no cenário internacional. Mesmo durante a crise, o País passou a ser o quinto maior mercado em vendas de carros, enquanto o comércio mundial de veículos registrou queda de 38%. Para Roberto dos Reis Alvarez, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), entidade ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a posição alcançada pelo País permite que ele expanda sua atuação no cenário internacional em diferentes mercados.

 

À frente da gerência de projetos da ABDI, Alvarez trabalha para promover a política industrial do Brasil no exterior. Por meio de projetos como o Programa de Apoio à Inserção Internacional de Pequenas e Médias Empresas (Paiipme), assinado com a União Europeia, e do acordo comercial firmado com a Suécia, ele busca inserir pequenas e médias empresas no cenário internacional.

 

Alvarez explica que não há um único mercado-alvo para as empresas brasileiras. Por isso, orienta os empresários a investir nos mercados emergentes, principalmente o africano e o latino-americano – que são os que mais crescem –, e a procurar expandir os negócios nos Estados Unidos e na Europa. “Pudemos perceber este ano que o Brasil ficou em excelente condição de adquirir operações na Europa ou mesmo nos Estados Unidos porque o país mostrou que é uma economia forte ao passar bem pela crise.”

 

Qual tem sido o foco da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para promover a internacionalização das empresas brasileiras?
Roberto dos Reis Alvarez –
Internacionalização ainda é um tema novo para as empresas brasileiras no geral. Mas já podemos perceber um movimento crescente em que mais empresas estão investindo em expansão no exterior. O esforço para internacionalização faz parte de um processo de investimento externo direto brasileiro, tanto para deter o controle de fábricas, de centros e operações de serviços ou mesmo para exportar. As grandes empresas brasileiras, em geral, vão para o exterior por conta própria. O governo tem um papel fundamental nesse processo, mas elas vão por conta própria. A questão-chave para a atuação pública é no meio da economia em desenvolver mecanismos para ajudar pequenas e médias empresas no processo de internacionalização.

 

Como a ABDI tem trabalhado para estimular a internacionalização das pequenas e médias empresas brasileiras?
Roberto Alvarez –
Há duas instâncias nas quais nós atuamos diretamente neste assunto. A primeira e principal delas é o Programa de Apoio à Inserção Internacional de Pequenas e Médias Empresas (Paiipme), resultado de um ajuste complementar de cooperação entre a União Europeia e o Brasil. Esse é o maior projeto de cooperação com a União Europeia na América Latina. É um projeto recebido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e a unidade gestora é a ABDI. Nós somos responsáveis pela implementação desse projeto. Uma das ações do Paiipme foi realizada durante o Global Fórum Infodev, realizado em Florianópolis. Foi uma rodada de negócios que teve a participação de 50 empresas europeias e de outras 150 empresas brasileiras. O segundo conjunto de ações desenvolvidas pela ABDI diz respeito especialmente à internacionalização das empresas brasileiras nos mercados da América Latina e da África. A ABDI coordena o programa de integração produtiva do Brasil com a América Latina e com a África. Um dos principais componentes desse programa é levar empresas brasileiras para esses mercados para que elas identifiquem oportunidades e possam iniciar operações nesses países.

 

Quais foram os motivos que levaram o governo brasileiro a investir nesses mercados?
Roberto Alvarez –
Existem diferentes focos de atuação. Isso depende do tipo de negócio e do estágio da empresa. Não existe um único caminho. O importante é notar que os mercados que mais crescem são os de países emergentes, principalmente os do sul. É por isso que nós temos programas de integração com a América Latina e com a África. Por outro lado, pudemos perceber este ano que o Brasil ficou em excelente condição de adquirir operações na Europa ou mesmo nos Estados Unidos porque o País mostrou que é uma economia forte ao passar bem pela crise.

 

Vocês têm trabalhado para a construção de parques tecnológicos brasileiros fora do País?
Roberto Alvarez
– Nós temos um diálogo de inovação com os Estados Unidos e temos outro que é uma cooperação industrial em setores de conhecimento e tecnologia com a Suécia. Esse diálogo de inovação Brasil e Estados Unidos conta com a participação da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). Nós realizamos ao longo deste ano seis encontros, que chamamos de laboratórios de inovação, onde reunimos representantes de universidades, empresas e de governos para trocar ideias, discutir temas relacionados à inovação e identificar projetos que possam ser desenvolvidos em conjunto. Uma das medidas que está sendo discutida é de coincubação entre os países. A proposta está sendo estudada pela Anprotec e por parceiros americanos na Califórnia e no Arizona. Nós devemos começar esse tipo de discussão com a Suécia. Em outubro foi assinado um acordo complementar entre os dois governos que estabelece uma cooperação em pesquisa e conhecimento coordenado no Brasil pelo Ministério das Relações Exteriores, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e pela ABDI.

 

Como você avalia a participação do Brasil no mercado internacional?
Roberto Alvarez –
O Brasil tem se destacado principalmente pelos avanços que conseguiu realizar na última década tanto em termos sociais quanto econômicos. O mundo olha para o Brasil nesse momento em que o País passa bem pela crise. O Brasil se tornou o quinto maior produtor mundial de carros, enquanto que as vendas de veículos lá fora despencaram 38%. A melhora na distribuição de renda e as políticas econômicas implementadas mais recentemente fizeram com que aumentasse o crescimento do consumo interno, e isso tem um impacto positivo na economia em geral. Foi o aumento do consumo que fez o País passar bem pela crise e isso tem chamado a atenção da comunidade internacional.



Empresas de que áreas devem se destacar nesse novo cenário?
Roberto Alvarez –
Acredito que um setor estratégico para a construção do futuro do País é o formado por pequenas e médias empresas intensivas no conhecimento de tecnologia. Com melhores mecanismos públicos podemos dar mais espaço para essas empresas e assim ter uma densidade empresarial muito maior que tínhamos no passado. Tem gente que já criou uma empresa, faliu, aprendeu, criou outra, saiu, vendeu, comprou outra. Isso é novo no Brasil e é altamente positivo.

 

Como você vê a entrada do Brasil no conselho de doadores do Banco Mundial para a Infodev e o papel que o País está desempenhando no cenário mundial ao receber eventos como o Global Fórum, que foi realizado em Florianópolis, e é o primeiro evento da InfoDev realizado fora da Índia?
Roberto Alvarez –
Eu acho que esse é um evento positivo e central para o Brasil e para Florianópolis. Este é o momento do Brasil se mostrar como um país que tem gente competente, tem conhecimento, empresas de base tecnológica e ambição de mostrar isso para o mundo. Creio que esse evento está alinhado a esse espírito; esse é um tipo de evento de um Brasil que tem missão.


Contato: Roberto dos Reis Alvarez: www.abdi.com.br


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