A Endossa pode ser definida como uma espécie de “Mercado Livre” (site de compra e venda na internet) do mundo off-line. Criada em março deste ano, a loja tenta aplicar no ponto-de-venda os conceitos de colaboração e participação do usuário já consagrados no ambiente virtual. A proposta consiste em alugar espaços na loja – divididos em módulos no formato de caixas – onde qualquer pessoa pode criar uma marca e oferecer seus produtos ao consumidor, com total autonomia em relação ao que vender e quanto cobrar. O mix de produtos inclui desde bijuterias e camisetas até guitarras, tudo para atrair os mais diversificados públicos.
A idéia surgiu quando os estudantes de Propaganda e Marketing Gustavo Ferriolli, Carlos Margarido e Rafael Pato decidiram montar um negócio em sociedade. “Gostaríamos de trabalhar com consignação, mas não tínhamos uma idéia muito clara de como seria”, conta Carlos. O conceito do projeto estava em estudo há mais de um ano pelo trio. “Tínhamos duas premissas que nos guiavam: a primeira, uma filtragem de conteúdo, e a segunda, o perfil colaborativo”, destaca Gustavo. Procuraram em livros e em diversos sites na internet algum material sobre o assunto, mas nada se aproximava exatamente do que queriam. Até que encontraram quatro parágrafos sobre uma loja em Cingapura, onde os produtos consignados eram disponibilizados em caixas. Era o detalhe que faltava para embasar o conceito da loja colaborativa.
Depois de um período de planejamento, já sabiam o que queriam e como implementariam a idéia. Chamaram a arquiteta Maíra Ramos para ajudá-los a fazer o projeto da loja e orientar a disposição das caixas. Como ainda não tinham produtos para abrir a loja – apenas oito das 163 caixas existentes estavam preenchidas – o jeito foi encontrar uma saída tão original quanto a própria idéia do negócio: inauguraram a Endossa com as caixas cheias de canecas com o logo da empresa. “Fizemos 500 canecas para preencher todos os espaços. As pessoas passavam na rua e achavam curioso uma loja cheia de produtos exatamente iguais e entravam para saber o que era. Chegaram a perguntar se vendíamos closet”, conta Carlos. Na verdade, as canecas não estão disponíveis para venda e são dadas de brinde para quem aluga uma caixa.
Movimento constante
A escolha do ponto não foi difícil. Independente do que fosse a empresa, sabiam desde o início que queriam algo nas redondezas da Rua Augusta, em São Paulo. “Justamente pela metamorfose em termos de público que há no local. Durante a semana há os engravatados da Avenida Paulista e no final de semana o povo mais alternativo, freqüentador dos bares da região”, explica Carlos. Nas primeiras duas semanas de funcionamento, alugaram parte considerável dos espaços: 100 das 163 caixas disponíveis. “Para ser mais atraente para os vendedores, oferecemos três meses de aluguel de caixa pelo preço de um”, revela Gustavo.
Como a rua é bastante movimentada, já na primeira semana passou uma jornalista pelo lugar, gostou do que viu e divulgou a loja em um guia da cidade de São Paulo. Essa exposição fez com que a locação dos espaços ganhasse um impulso importante. Outro fator que contribuiu para o rápido sucesso da loja é o fato de os proprietários da Endossa não cobrarem comissão sobre as vendas. O que fazem é descontar os impostos dos produtos e as taxas de cartão de crédito, caso a compra seja paga dessa forma. Atualmente, apenas 20 caixas não estão locadas.
Definir exatamente o que vende a loja é tarefa difícil e, muito menos, é intenção dos proprietários. “Ela foi criada para se auto-segmentar. Qualquer descrição pontual do empreendimento foge do que ele deve ser”, diz Carlos. Atualmente, o mix de produtos conta com 3,4 mil itens, entre roupas, bolsas, bijuterias, sapatos e artigos de decoração. Até o momento, os produtos mais vendidos são as bolsas e bijuterias, o que dá ao ponto-de-venda um perfil mais feminino. Contudo, os lojistas ressaltam que isso pode mudar com o tempo. “Não temos muitas restrições em relação ao que vender. Não vendemos nada ilegal, tem que durar mais do que um ano e não pode ter legislação específica. Já tivemos um biólogo aqui que tinha um viveiro de serpentes e queria uma caixa para vender cobras. Mas é claro que existe um limite”, afirma Carlos.
As caixas onde estão disponibilizadas as mercadorias são oferecidas em seis tamanhos diferentes – todas com 1,50 cm de profundidade – e valores correspondentes: a menor tem 25 x 25 cm e custa R$ 80; a small, com 60 x 25 cm, sai por R$ 150; a padrão, com 60 x 60 cm, custa R$ 200 e é a mais procurada. Entre as opções maiores, há a comprida (tanto vertical quanto horizontal), com 60 x 130 cm, por R$ 250; e a large, que mede 130 x 130 cm e custa R$ 350. Todos os preços correspondem à locação por 28 dias, independente do tamanho. A única exceção é para as caixas que ficam nos lugares mais altos, que têm os mesmos preços, independente do tamanho, para um período de 56 dias. Há, ainda, oito espaços com araras, medindo 100 x 60 cm, que custam R$ 250.
Autonomia para vender
A autonomia oferecida aos “clientes-fornecedores” é, sem dúvida, o principal atrativo para quem deseja colocar seus produtos na Endossa. “Ao contrário das outras lojas que trabalham em consignação, onde os donos é que definem o que será vendido e quanto será cobrado por mercadoria, aqui quem traz o produto é que determina o preço”, explica Carlos. O empresário afirma também que por mais que gostassem de ajudar na precificação, ele e os sócios são iniciantes no varejo e ainda estão aprendendo com o novo negócio.
Para facilitar o controle no fluxo de mercadorias, os empreendedores desenvolveram um software que permite aos vendedores acompanhar em tempo real a movimentação de seus produtos. Mais do que isso, eles podem, inclusive, modificar preços em tempo real, já que tudo é etiquetado com código de barras e os clientes conferem os valores em scanners de verificação de preço distribuídos pela loja. Gustavo, no entanto, diz ter aprendido nos últimos meses que “produto tem que ter preço visível sempre”, mesmo que não esteja na vitrine e que tenha um terminal de consulta próximo. Agora, eles estudam uma forma de resolver a questão e combinar a agilidade da remarcação oferecida pelo sistema com uma exibição mais clara dos preços.
A Endossa abre das 10h às 12h para check-in e check-out dos vendedores consignados. O primeiro horário é para entregar os produtos na loja e verificar a precificação. Todas as mercadorias são conferidas por um dos dois funcionários da loja. No check-out, o vendedor pode retirar os produtos restantes do ponto-de-venda, contá-los e receber o dinheiro das vendas. A partir do meio-dia, a loja funciona para o público em geral.
Planos virtuais
Fundação: março de 2008
Sede: São Paulo
Área de atuação: aluguel de espaços modulares para venda consignada de diversos produtos
Número de lojas: 1
Número de funcionários: 2
Número de itens no mix: 3,4 mil
A relação com o vendedor é mediada por um tripé: o box onde ele disponibiliza os produtos; o software, que lhe permite acompanhar as vendas; e uma comunidade criada no site da loja, onde cada marca possui um perfil próprio. Na internet, o objetivo da Endossa é reunir virtualmente uma comunidade de vendedores e compradores para conversar e trocar idéias entre si. Por enquanto a Endossa não faz vendas on-line, mas este é um plano para o futuro próximo. “Queremos transformar o espaço virtual em um agregador ainda maior da loja física, que facilite não só as vendas, mas o contato entre quem fornece e quem deseja comprar”, ressalta Carlos.
Ao todo, foram investidos em torno de R$ 100 mil para deixar a Endossa funcionando. Carlos afirma que nesses poucos meses ainda não foi possível ter o retorno integral de tudo, mas se surpreende com o volume de vendas que já atingiram. “Nosso plano é ampliar ainda mais a atuação da marca, criando, inclusive, uma holding para trabalharmos também com uma pequena assessoria de imprensa, entre outros negócios.”
Contato
www.endossa.com [1]
contato@endossa.com
Links:
[1] http://www.endossa.com