Um passo de cada vez. Nesse ritmo, o paulistano Jesse de Andrade foi construindo sua trajetória como empreendedor, até chegar ao posto de proprietário do Josephine Bistrô, um badalado restaurante na Vila Nova Conceição, na zona oeste de São Paulo. O negócio começou em 1982 com um açougue tradicional no Jardim Paulista. Aos poucos, o estabelecimento evoluiu para uma casa de carnes nobres, expandindo-se para outras áreas da capital paulista. Uma das unidades foi instalada no mesmo endereço onde hoje funciona o Josephine. De casa de carnes, o negócio passou a lanchonete, que logo deu lugar ao bistrô. A casa é freqüentada por famílias, jovens, executivos e celebridades como o piloto de Fórmula 1 Felipe Massa e a apresentadora Daniela Cicarelli.
Nada nessa trajetória foi previamente planejado pelo empresário. O que Andrade fez foi aproveitar as oportunidades a partir de uma prática que deve fazer parte do dia-a-dia de qualquer empreendedor: observar o mercado. Por isso, ele é conhecido pelos amigos como um visionário. O açougue na região dos Jardins ia muito bem, mas Andrade percebeu que podia agregar valor ao negócio, transformando-o numa casa especializada em carnes nobres e, assim, atender às exigências de uma clientela seletiva. O produto passou a ser acondicionado em pacotes etiquetados, identificando o tipo de corte e a maneira mais apropriada de prepará-lo. O atendimento também ficou mais personalizado e os funcionários ganharam uniformes, adequando-se ao padrão de vida dos clientes.
O sistema recebeu a aprovação da clientela, formada em sua maioria pelos moradores do bairro. Em pouco tempo, Andrade já administrava outras quatro casas de carne na capital paulista. O empresário aproveitou a mudança na Lei de Zoneamento de São Paulo para abrir estabelecimentos comerciais em áreas residenciais de bairros nobres de São Paulo. Quando fez isso, Andrade aplicou outra regra importante na vida de um empreendedor: aproximar-se do público consumidor. Seus empreendimentos receberam o reconhecimento da Central de Carnes Nobres Flórida, que ampliou o fornecimento dos produtos. Anúncios em revistas e jornais, entre outras estratégias de marketing, também ajudaram a impulsionar os negócios de Andrade, que continuava atento ao movimento dos clientes e do mercado como um todo.
Foi assim que o empresário se deu conta de que a casa de carnes instalada na Vila Nova Conceição poderia se tornar uma atrativa lanchonete para atender as mães e crianças de um colégio localizado em frente ao seu negócio. Mais uma vez, Andrade acertou o alvo. A lanchonete, aberta no ano 2000 e batizada de Josephine, passou a ser parada obrigatória para um almoço ou um lanche na entrada ou na saída da escola. A clientela foi reforçada pelo público que freqüentava a loja de luxo Daslu, na época sua vizinha. Uma placa convidando os pais a deixarem seus veículos no estacionamento da loja enquanto pegavam seus filhos no colégio foi mais uma atitude simpática e visionária de Andrade. Facilitar a vida do cliente é um passo importante para conquistar a fidelidade dele.
O principal atrativo da lanchonete eram os lanches. Aos poucos, Andrade foi incrementando o cardápio, oferecendo pratos apreciados não apenas pelas crianças, mas também pelos adultos. O negócio passou a exigir a maior parte do tempo do empresário e Andrade decidiu vender as outras casas de carnes para se dedicar exclusivamente ao Josephine. “Melhor ter um bem cuidado do que dez malcuidados”, ensina o empresário. Com dinheiro do próprio bolso, ele investiu na reforma do espaço e, pela terceira vez, mudou o foco do seu negócio, ajustando-se ao mercado.
A lanchonete se transformou num charmoso restaurante, ponto de encontro para almoços, lanches, happy hours e jantares de famílias, jovens e executivos. Uma varanda de 25 m2 e uma jabuticabeira atraem clientes em busca de um local agradável para comer e conversar. O cardápio é variado, há desde o mais simples cachorro-quente – ainda dos tempos da lanchonete – até pratos elaborados cuidadosamente pelo chef da casa, incluindo saladas, massas, grelhados, risotos e quiches. “Muitas vezes servimos camarão e hot dog em uma mesma mesa”, conta Andrade. O Josephine não se cansa de inovar e novos pratos são colocados no cardápio a cada três meses. A bebida é outro atrativo. Andrade faz questão de se diferenciar oferecendo produtos especiais como a Cachaça do Barão, aguardente da região de Pirassununga (SP).
Filho de um funcionário público e de uma dona de casa, Andrade nunca pensou em ser empreendedor. “Meus sonhos eram comuns a qualquer outro menino da minha geração: ser bombeiro, piloto de avião, lixeiro, tudo que envolvesse emoção”, comenta o empresário. Em casa, os pais ensinaram a ter persistência e sempre foram motivo para Andrade continuar buscando novas conquistas. Ele acredita que a sorte também ajudou e esteve do seu lado quando precisou. “Das vezes que eu arrisquei, acertei”, afirma. Para o empresário, a aptidão para o empreendedorismo é um dom que nasceu com ele. “Nunca fui acomodado, sempre fui atrás do que eu queria. Não dá para fazer corpo mole.” ![]()
Prova disso é que Andrade começou sua vida profissional quando ainda era um menino. Em 1967, aos 14 anos, arranjou um trabalho numa revendedora de automóveis, onde permaneceu por uma década. De 1978 a 1982, trabalhou como representante de vendas de uma empresa fabricante de refrigerantes. A vontade de ter um empreendimento próprio começou a ganhar força depois dos 20 anos de idade. O motivo para tal sonho era o mesmo da maioria das pessoas que planejam abrir uma empresa. “Eu queria ser livre, independente, não ter ninguém para mandar em mim”, conta Andrade.
Antes dos 30 anos, ele concretizou seu sonho. A escolha pelo ramo de carnes foi influência de um cunhado, que já tinha uma rede de açougues. Mas para tocar o próprio negócio, Andrade teve que contar apenas com a sua obstinação em progredir. “Meu sócio é Deus. É ótimo porque ele não me pede nada, eu que peço de vez em quando”, brinca o empresário. Ele garante que nesses 26 anos de trabalho nunca se arrependeu de nenhuma atitude que tenha tomado como empreendedor. Em seu restaurante, comanda uma equipe de 75 pessoas e afirma que nunca teve problemas sérios com funcionários. Quando precisa, não hesita em delegar suas funções para colaboradores. Andrade só reforça o coro dos empresários que reclamam dos impostos e dos altos encargos trabalhistas.
Seu principal conselho para quem está começando a empreender é dedicação ao negócio. “É aquela história: o olho do dono engorda o porco”, afirma. Para o empresário, a oportunidade que ele tem de conversar um pouco com cada um de seus clientes faz a diferença e o sucesso do Josephine Bistrô. Por isso, mantém a rotina de comparecer ao restaurante de segunda a segunda, reservando as férias para o período das festas de fim de ano, quando fecha a casa por duas semanas. No restante do ano, fica no Josephine entre 13h e 17h, retornando às 20h para ir embora por volta da 1h, após fechar a casa. Para recarregar as baterias, de manhã vai ao clube jogar tênis e fazer academia.
Em abril deste ano, o Josephine completou oito anos de casa cheia todos os dias. Para Andrade, o sucesso é resultado da combinação de cardápio, ponto bom e atendimento. Com tanta badalação, o negócio já despertou o interesse de investidores do segmento. Sem dar detalhes, o empresário conta que já recebeu várias propostas para transformar a casa em uma rede de restaurantes, seja por meio de filiais ou do sistema de franquias. Andrade admite que abrir novas unidades não está fora dos seus planos para o futuro, mas, por enquanto, prefere focar seu olhar numa única casa e permanecer fiel à sua filosofia como empreendedor: devagar e sempre. ![]()
Linha Direta
Jesse de Andrade: (11) 3842-5891/ www.josephine.com.br [1]
Links:
[1] http://www.josephine.com.br