Pesquisa realizada com 3.962 empresas de Pernambuco sobre as características dos empreendimentos afetados pelas enchentes de junho no estado revela que, após dois meses da tragédia, 66,9% deles ainda não conseguiram voltar à suas atividades normais.
A pesquisa, realizada pelo Sebrae Pernambuco, envolveu empreendimentos dos 12 municípios mais afetados da Zona da Mata Sul com o objetivo de identificar os reais impactos do desastre para melhor orientar as estratégias de apoio da instituição.
Segundo o levantamento, a média do valor das perdas, entre mercadorias, insumos, máquinas, equipamentos e estrutura física, chega a R$ 23 mil. A pesquisa mostra também outras perdas para os negócios, como redução significativa das vendas, atraso no recebimento de matérias primas por parte dos fornecedores, atraso na entrega dos produtos ou serviços aos clientes e demissão de funcionários.
De acordo com Raissa Rossiter, gestora nacional do projeto pelo Sebrae, a paralisação das atividades dos empreendimentos atingidos e as perdas relatadas demonstram o papel relevante do Sebrae na orientação para o processo de reabertura e gestão. “Considero que, além de subsidiarem as ações de apoio para a recuperação dos empreendimentos atingidos, os resultados da pesquisa indicam aspectos importantes para direcionarmos o nosso trabalho”, afirma.
A gestora ressalta que, embora sejam muito importantes, as ações de apoio direto aos empreendimentos precisam ser acompanhadas de medidas que tenham não só um caráter emergencial, mas de reorientar o modelo de desenvolvimento local e territorial em bases mais sustentáveis, com políticas públicas integradas que fortaleçam os pequenos negócios na economia da região. “A implementação da Lei Geral nos municípios atingidos pelas enchentes, por exemplo, poderá ser um mecanismo indutor muito importante nesse processo. Só conseguiremos esses avanços mediante uma forte articulação do Sebrae com parceiros e os atores locais", complementa.
Outro dado que chama atenção é a predominância expressiva de empreendimentos informais. Segundo a pesquisa, 68% das empresas entrevistadas estão na informalidade e registram receita bruta de até 36 mil por ano, requisitos para enquadramento no Empreendedor Individual. “Temos aí um público potencial expressivo para orientações sobre a oportunidade de formalização como EI”, conta a gestora.
Na questão sobre financiamento bancário, verificou-se que 77% das empresas têm financiamentos e que outras 23% não haviam adquirido empréstimos até o momento da tragédia. Para Raissa Rossiter, o dado reforça a necessidade de todo tipo de orientação do Sebrae junto aos seus clientes, especialmente em relação a acesso ao crédito e financiamentos.
O relatório faz parte do SOS Empresa, projeto emergencial para apoiar empreendedores e empresários que tiveram danos com as enchentes em Alagoas e no Pernambuco. Desde sua implantação, o projeto tem mobilizado parceiros e instituições em busca de soluções para a reestruturação dos pequenos negócios nesses estados.
“A proposta desse projeto é apoiar esses empreendimentos não apenas nessa situação emergencial, mas também oferecer apoio para sua estruturação em médio e longo prazo”, diz Raissa.