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29/06/2010 11:02
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por Cléia Schmitz
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Programa de qualificação e certificação do IEL garante padrão de qualidade de fornecedores e reduz gastos com consultorias

A capixaba Itamil Usinagem e Caldeiraria tinha 19 funcionários, uma área construída de 900 metros quadrados e uns poucos clientes quando, em 1997, foi convidada pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL) a participar de um programa de qualificação de fornecedores. Quase 13 anos se passaram, e a Itamil de antes parece mais uma miniatura da atual. A empresa emprega, diretamente, 100 pessoas, e está instalada num prédio de 6 mil metros quadrados. Na extensa relação de clientes, empresas do Espírito Santo e de estados vizinhos, como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Entre elas, companhias do porte – e nível de exigência – de Vale, Samarco, ArcelorMittal e Petrobras. “Só no ano passado acrescentamos 30 empresas ao nosso cadastro”, comemora o diretor-geral Leonardo Jordão Cereza.

A Itamil fez por merecer. Foi a primeira empresa a conquistar as quatro certificações do Programa Integrado de Desenvolvimento e Qualificação de Fornecedores (Prodfor) do IEL do Espírito Santo: Gestão da Qualidade em Fornecimento (ISO 9001), Gestão de Saúde e Segurança (Oshas 18001), Gestão Ambiental (ISO 14001) e Gestão Financeira, Fiscal e Trabalhista (norma própria do programa). “Demos um passo de cada vez. Nossa primeira certificação foi em 1998, e somente em 2007 conseguimos a ISO 14001”, conta Cereza. O empresário reconhece que o Prodfor foi um grande empurrão para seus negócios. Ele tinha 17 anos quando ajudou o pai a fundar a Itamil, em 1988. Aos 39, conta com mais de duas décadas de experiência própria e muitas horas de cursos e consultorias para aumentar sua competitividade como fornecedora.

Lançado nacionalmente em agosto de 2007, o Programa IEL de Desenvolvimento e Qualificação de Fornecedores (PQF) foi criado com o propósito de preparar as empresas de uma região para atender às necessidades de grandes e médias empresas compradoras locais. O objetivo final é aumentar as vendas de quem fornece e garantir a qualidade dos serviços e produtos de quem compra. Em todo o Brasil, o programa é patrocinado por mais de 100 empresas, chamadas de âncoras, e reúne mais de 1 mil fornecedores. O Prodfor do IEL-ES é o precursor do PQF. De 1998 a 2009, passaram pelo programa 416 fornecedores, amparados por 12 âncoras. Numa pesquisa qualitativa realizada em 2007, a taxa média de crescimento dos participantes era de 17,4%. “É de fazer inveja até aos chineses”, orgulha-se Luciano Raizer Moura, executivo do IEL-ES.

Estudioso do assunto, Moura vê o relacionamento com fornecedores como uma questão cada vez mais estratégica para as grandes empresas. “Para serem competitivas, elas precisam se concentrar em sua atividade fim e, por isso, dependem de fornecedores competentes e confiáveis”, explica. No final do ano passado ele defendeu uma tese de doutorado, onde avalia a eficácia de ações desenvolvidas pelo Prodfor. Na análise sobre o crescimento de vendas, as conclusões são bastante positivas: no ano em que receberam a certificação, os fornecedores aumentaram suas vendas em 39,1%. No ano posterior, esse índice chegou a quase 60%, numa clara demonstração dos benefícios do programa. Segundo Moura, a produtividade das empresas aumentou 52%, a geração de empregos 7,8% e a lucratividade 37,6%.

Em alguns casos, o que se viu foi uma verdadeira revolução. Instalada em Vila Velha (ES), a União Engenharia atendia a Samarco quando, em 1997, aceitou o convite da mineradora para integrar a primeira turma do Prodfor. Fundador da empresa, Salvador Turco é um serralheiro que, em 1978, decidiu abandonar o emprego na Chocolates Garoto e abrir uma empresa de serviços de fabricação e montagem industrial. Hoje atende mais de 50 grandes companhias de diferentes setores, como Alstom Power, Vale, Andrade Gutierrez, Grupo Technip, Oil States Industries e Petrobras. Para esta última, a União responde pela instalação das estações de compressão de gás de Piúma/ES, Aracruz/ES e Alcobaça/BA, além do fornecimento de equipamentos para exploração do pré-sal no campo de Tupi.

Coordenadora de Qualidade e Meio Ambiente da União Engenharia, Monica Novelli diz que as certificações conquistadas durante o Prodfor trouxeram grandes avanços. “Sem dúvida elas representam excelentes ferramentas para reduzir os custos, melhorar a organização e garantir a qualidade. Afinal, se nossos clientes são qualificados, temos que ser também. É a condição para permanecer no mercado”, afirma Monica. Para Moura, essa relação de equilíbrio é o ponto-chave. Ele lembra que, no passado, acreditava-se que pequenas empresas não tinham condições de atender grandes companhias. “Quando a CST (hoje ArcelorMittal) se instalou no Brasil, o sócio japonês trouxe até caminhão. Para desenvolver a cadeia de fornecedores, engenheiros da metalúrgica foram até essas empresas para desenvolver competência. Foi um trabalho belíssimo.”

Gerente de suprimentos da ArcelorMittal (âncora do Prodfor), Sérgio Gomes conta que, há 30 anos, 10% das compras da companhia tinham algum tipo de divergência no recebimento. Hoje esse índice é de 0,5%. “Os atrasos de entrega também eram comuns”, recorda. Outro problema, segundo o executivo, era o desperdício de recursos e esforços com as frequentes auditorias feitas nos fornecedores, realizadas por cada um dos clientes da empresa individualmente. “Quando a gente estava chegando, certamente os fornecedores pensavam: lá vem mais um chato.” Com o surgimento de programas como o Prodfor, muitas auditorias passaram a ser feitas de forma coletiva, economizando tempo e recursos de todos os envolvidos. Vale destacar que todas as certificações são renovadas periodicamente e, para isso, o fornecedor precisa manter os padrões exigidos.


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