Reportagens
02/08/2010 12:41
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Você geração S/A

por Cléia Schmitz

Tecnologias de geração local de energia diminuem custos de transmissão e proporcionam uma nova oportunidade de negócio para empreendimentos já existentes, que ainda podem solucionar problemas ambientais

Alguns anos atrás, a possibilidade de transformar dejetos de suínos em energia elétrica era motivo de piada entre criadores de porcos. Para a maioria deles, o assunto parecia um tanto futurista. Hoje, muitos produtores de suínos já estão na expectativa de vender energia elétrica gerada a partir do que, até então, era apenas um problema ambiental. Em Santa Catarina – estado com a maior criação de suínos do Brasil – o empreendedor Nelso Pasqual será o primeiro a injetar energia no sistema elétrico da concessionária local. No dia 28 de junho, ele assinou com a Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) o contrato de venda de cerca de 300 kW médios/mês gerados na Granja São Roque, localizada em Videira, na região Oeste catarinense. Segundo a Celesc, é energia suficiente para atender a cerca de 1,2 mil residências.

Pode parecer pouco, mas com certeza não é insignificante. A geração de energia elétrica a partir de dejetos de suínos e, principalmente, o interesse de concessionárias pela sua contratação trazem embutida uma mudança de cultura imprescindível para difundir fontes limpas de energia. “Nossa motivação por esse empreendimento vai além do montante da energia gerada e da rentabilidade. A criação de um cenário propício para o desenvolvimento de novas cadeias de negócio na região, de maneira sustentável, também nos estimula”, afirma Paulo Meller, presidente da Celesc Geração. Em Santa Catarina, há um plantel de quase 6 milhões de suínos que, estima-se, poderia produzir 212 milhões de metros cúbicos de gás metano por ano, suficiente para instalar uma usina de 345 megawatts (MW) – praticamente um terço do potencial da Usina Hidrelétrica de Machadinho, no Rio Pelotas, com 1.140 MW.

A Granja São Roque é a terceira unidade no Brasil a produzir energia elétrica a partir de dejetos de suínos. As outras duas estão localizadas no Paraná e tiveram o apoio da Itaipu Binacional. Para o superintendente de Energias Renováveis da empresa, Cícero Bley, a contratação desse tipo de geração representa uma quebra de paradigma no setor elétrico brasileiro, tradicionalmente focado em grandes empreendimentos. “Estamos inaugurando uma fase em que se demonstra a viabilidade técnica, econômica e ambiental da geração abaixo de 1 megawatt. A somatória de muitos pequenos produtores é bastante interessante do ponto de vista energético”, destaca o executivo, que também coordena o Observatório de Energias Renováveis para a América Latina e Caribe.

Copa verde

O que chama atenção em projetos como esses é a possibilidade de aproveitar o potencial gerador de empreendimentos já existentes, sem impacto ambiental. É o que propõe também o projeto dos estádios solares, desenvolvido pelo Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas da América Latina (Ideal) em parceria com o Laboratório de Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A ideia é instalar placas fotovoltaicas nas imensas coberturas dos estádios de futebol e transformá-los em usinas solares. O Instituto Ideal quer aproveitar a realização da Copa do Mundo de 2014 para convencer os donos dos estádios-sede a incluir um projeto de energia solar na reforma ou construção de seus complexos esportivos.

Para viabilizar as ecoarenas, o Ideal foi buscar parceria com duas instituições da Alemanha, país com ampla experiência em energia solar: o banco de fomento Kfw e a agência de desenvolvimento GTZ. Ambos se comprometeram, respectivamente, a financiar e repassar tecnologia para a execução dos projetos. O Kfw reservou 80 milhões de euros para financiar a implantação dos sistemas fotovoltaicos. O Mineirão, propriedade do governo de Minas Gerais, já aderiu à proposta. A expectativa é de que o estádio gere 2 MW de energia, que será interligada ao sistema, atendendo entre 4 mil e 5 mil residências. Segundo Mauro Passos, presidente do Instituto Ideal, estádios como Maracanã (RJ), Fonte Nova (BA), Arena Manaus (AM) e Verdão (MT) estão interessados no projeto.

Os estádios solares, assim como as usinas a biogás proveniente de dejetos de suínos, têm outra qualidade importante para o sistema elétrico: produzem energia junto aos centros de consumo, dispensando grandes investimentos em transmissão e reduzindo perdas. “Nós vemos o sol como a fonte de energia do futuro. Além de limpa, estará acessível a todas as pessoas. Bastará instalar um sistema fotovoltaico no telhado. Hoje isso já é feito para aquecer o banho, mas no futuro vai gerar também a energia elétrica consumida em casa”, afirma Passos. Para ele, o custo de sistemas fotovoltaicos tem sido decrescente e se tornou mais viável em pouco tempo. Assim, empreendimentos com grandes coberturas, como indústrias e shoppings, poderão gerar sua própria energia e até mesmo vender o excedente.

Uma contribuição importante dentro desse cenário foi dada no final do ano passado. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) regulamentou uma resolução que permite a qualquer distribuidora de energia elétrica fazer chamadas públicas para comprar eletricidade gerada por pequenos produtores e interligá-la diretamente na rede. “Em países como Alemanha e França, a geração distribuída já é realidade há mais de 10 anos. Ela é muito importante para que as distribuidoras possam contar cada vez mais com geração de eletricidade na ponta, aumentando a segurança do sistema nos horários de pico”, explica Sadi Baron, secretário-executivo do Projeto Alto Uruguai. A ONG coordena um projeto piloto de instalação de biodigestores em pequenas propriedades da região fronteiriça de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Trinta e cinco biodigestores já estão instalados em 25 municípios da região, dos quais 10 na comunidade de Santa Fé Baixo, em Itapiranga (SC). No local será instalada ainda neste segundo semestre uma central geradora de energia elétrica, que deve entrar em operação no ano que vem. O empreendimento, orçado em R$ 640 mil, poderá gerar até 150 kWh de energia, suficiente para atender cerca de 600 famílias da região. “Será o primeiro condomínio de geração de energia elétrica entre pequenos criadores de suínos do Brasil”, orgulha-se Baron. O projeto tem a parceria da Eletrosul, Eletrobras, Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), Universidade Comunitária de Chapecó (Unochapecó) e Universidade Federal do Rio de Janeiro. A lista de apoiadores dá uma ideia do interesse que esse tipo de geração de energia vem despertando no mercado.

Em maio, a Eletrobras anunciou novos investimentos na região, estendendo o projeto para mais 55 municípios. A proposta é instalar outras três centrais geradoras de energia com biogás proveniente de dejetos de suínos. O Projeto Alto Uruguai foi lançado pelo MAB em 2004 com o objetivo de converter a degradação ambiental provocada pela suinocultura em biofertilizante e matriz energética. Um ano depois, a ONG assinava um convênio com Eletrobras e Eletrosul para colocar o projeto em prática. Antes disso, coube ao MAB e à Unochapecó convencer os criadores de suínos sobre o potencial gerador de suas propriedades. “No início, o assunto era motivo de chacota. Hoje é uma nova perspectiva de desenvolvimento para a região. O que nós desejamos é que isso se transforme em política pública”, afirma Baron.

Para Nelso Pasqual, a adesão de grandes agroindústrias ao projeto de geração e comercialização de energia elétrica é só uma questão de tempo. O produtor espera recuperar o investimento de R$ 3 milhões em, no máximo, cinco anos. “O custo de implementação é alto, mas é um sistema econômico porque a manutenção é de baixo custo. Depois que pagarmos os recursos investidos, teremos uma receita líquida”, destaca o empreendedor. Veterinário de formação, Pasqual começou a investir no projeto de biogás em 2003, quando adquiriu a Granja São Roque após 30 anos de experiência como executivo em agroindústrias do setor. Seu último cargo foi de diretor-técnico da Carroll’s Food do Brasil, em Diamantino (MT), onde acompanhou a instalação de um sistema de biodigestores.

Em março deste ano, esse sistema foi inaugurado pela Seara, empresa do Grupo Marfrig, que adquiriu o empreendimento da Carroll’s em 2008. É o maior sistema de tratamento de dejetos de suínos do Brasil. O empreendimento evita emissões de metano da ordem de 73 mil toneladas de dióxido de carbono por ano. Isso equivale ao plantio e preservação de 15 milhões de árvores nativas. A energia gerada é suficiente para abastecer o complexo de suínos no local e ainda produzir excedente para suprir uma cidade de 8,5 mil habitantes. A economia anual com energia elétrica será de R$ 2,5 milhões, além das receitas obtidas com a comercialização de créditos de carbono. O investimento foi de R$ 8 milhões. “O sistema atende às mais rígidas exigências regulatórias em termos de preservação ambiental e será modelo para empreendimentos semelhantes no futuro”, afirma o diretor da Seara, Mayr Bonassi.

Luz do lixo

Seguindo a mesma lógica das granjas de suínos, os aterros sanitários espalhados pelo Brasil afora também escondem verdadeiras usinas de eletricidade. “Baseado em dados do IBGE de 2000, estima-se um potencial para produção de 350 MW de energia elétrica a partir do biogás de aterros sanitários”, afirma Vanessa Pecora Garcilasso, pesquisadora do Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio), ligado ao Instituto de Eletrônica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo (USP). Entre 2006 e 2009, um grupo de pesquisa da Cenbio implantou um sistema de produção de energia elétrica e iluminação a partir do biogás proveniente do tratamento de resíduos sólidos no Aterro Sanitário da Essencis, em Caieiras. O aterro, localizado às margens da Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, é o maior da América Latina e recebe cerca de 10 mil toneladas de lixo por dia.

Como se trata de um projeto de pesquisa, a Cenbio utilizou apenas parte de todo esse lixo. Para a conversão energética do biogás foi instalado um grupo gerador de 200 kW. Segundo Vanessa, o objetivo central do projeto era desenvolver tecnologia nacional com o propósito de reduzir os investimentos e estimular a geração de energia elétrica no segmento. Ela cita os aterros sanitários São João e Bandeirantes, também em São Paulo, que usam sistemas geradores importados, o que encarece a produção de energia. “O investimento inicial ainda é um pouco alto e muitos aterros atingem a cota de venda de créditos de carbono só com a queima do gás”, destaca a pesquisadora. Para ela, o estímulo ao desenvolvimento de tecnologias nacionais pode mudar essa história e tornar aterros sanitários não só autossuficientes em energia elétrica como vendedores do excedente gerado.

Vejamos o caso da energia dos ventos. O custo de geração a partir desta fonte de energia sempre foi apontado como um limitador para a implantação de parques eólicos no Brasil. No entanto, o preço ofertado no 1º Leilão de Reserva para aquisição de energia eólica surpreendeu todos. “A energia eólica começa a ocupar espaço. No leilão realizado em novembro de 2009 contratamos 1,8 mil MW, o que nos oferece um preço que não se imaginava conseguir no Brasil: em torno de R$ 148 por megawatts/h, em nível médio. Isso foi excelente”, declarou recentemente o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, ao programa de rádio Bom Dia Ministro. O segundo leilão de eólica está marcado para agosto e a expectativa do mercado é de que o governo contrate outros 1,8 mil MW.

“Hoje, o custo da eólica já é compatível às térmicas a gás natural, e menor que as térmicas a diesel – com a vantagem da geração pela força dos ventos ser limpa e renovável. Além disso, sua ‘matéria-prima’ é sempre gratuita, além de economizar água e não emitir gases efeito estufa”, ressalta Ricardo Simões, presidente da ABBEólica, associação que reúne as empresas integrantes dessa cadeia. Vale lembrar que a geração de energia eólica é recente no País. Os primeiros empreendimentos foram implantados no final da década de 1990 pela Companhia Energética do Ceará (Coelce). De acordo com a ABEEólica, em 2002, a capacidade instalada era de 22 MW, mantendo-se estável em 29 MW até 2005. Já em 2006, cresceu para 237 MW, fechando 2009 com 606 MW. Hoje, o Brasil conta com 794 MW de eólica.

Esse cenário promissor tem despertado interesse de novos empreendedores na área. No final de junho, a Eletrosul assinou a ordem de serviço para a construção de sua primeira usina eólica. O Complexo Eólico Cerro Chato será erguido na cidade de Sant’Ana do Livramento, sudoeste do Rio Grande do Sul, divisa com a cidade uruguaia de Rivera. O empreendimento, que faz parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), terá três parques eólicos de 30 MW cada, e 45 aerogeradores com torres de 108 metros de altura. Segundo Ronaldo dos Santos Custódio, diretor de Engenharia e Operação, a Eletrosul quer se consolidar como empresa produtora de energias renováveis. “A vocação do Brasil é a geração hidrelétrica, mas temos que abrir espaço para outras fontes limpas”, destaca.

Custódio ressalta que Cerro Chato é acima de tudo uma decisão empresarial, ou seja, atraente do ponto de vista econômico. O executivo enumera uma série de vantagens para os investimentos eólicos, incluindo bons preços, boas condições de financiamento do BNDES e queda nos preços dos equipamentos em virtude da crise econômica mundial. Para os defensores da energia dos ventos, a lista não para por aí: agilidade no processo de licenciamento ambiental, rapidez na construção do empreendimento e a oportunidade de geração de créditos de carbono são outros atrativos. A previsão da Eletrosul é inaugurar o empreendimento no segundo semestre de 2011. Os investimentos são de R$ 400 milhões, dos quais 90% da Eletrosul e 10% da Wobben, líder mundial na fabricação de aerogeradores.

Na opinião de Ricardo Simões, o potencial eólico brasileiro não é mal aproveitado. Porém, para seguir um ritmo adequado de crescimento depende da contratação anual, em regime controlado, de 2 mil MW até o ano 2019. “E para favorecer este patamar de crescimento será necessário promover uma desoneração tributária, que hoje é um grande entrave ao setor”, afirma o dirigente. A ABEEólica já apresentou ao governo federal a proposta do Renovento, um regime tributário especial para beneficiar toda a cadeia produtiva, desde a matéria-prima até a operação dos parques eólicos. Segundo Simões, a energia eólica não tem intenção de competir com a hidreletricidade. “Trata-se de uma fonte que complementa a matriz principal de forma limpa, renovável e abundante, garantindo a geração de energia quando os níveis dos rios diminuem e a geração hidrelétrica precisa ser reduzida”, afirma.

Na contramão

Para o professor Heitor Scalambrini da Costa, um crítico contumaz da política energética do governo, os investimentos em eólica e solar estão muito aquém do desejado. “O mundo inteiro está investindo em vento e fotovoltaica. Na China, o mercado de eólica triplicou em 2007. No Brasil, o Plano Nacional de Energia (PNE) 2030 prevê que as usinas eólicas passarão de 0,3% para 0,9% da potência instalada no País, enquanto o aumento da participação das usinas térmicas passará de 0,95% para 5,7% – mais de 500%”, argumenta Scalambrini, coordenador do Núcleo de Apoio a Projetos de Energias Renováveis (Naper) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Igualmente, o setor de eletricidade solar cresce 45% ao ano, em média, no mundo. Enquanto isso, no Brasil são apenas 33 unidades de sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica até o final de 2009,” acrescenta.

O governo tem respondido às críticas com o fato de o País ter uma das matrizes energéticas mais limpas e renováveis do mundo. Enquanto o índice brasileiro é de 47%, a média de fontes renováveis na matriz energética mundial é de 14%. Para Scalambrini, isso não exime o estado brasileiro de investir em várias frentes para estimular energias limpas. “É necessário criar um programa nacional de desenvolvimento da energia solar e eólica que inclua campanhas educativas em rádio e TV, instalação de sistemas fotovoltaicos em prédios públicos, sensibilização do setor da construção civil, incentivos fiscais, linhas de crédito e financiamento, entre outras ações”, afirma o professor. Segundo ele, o mais urgente no momento é aprovar a Lei 630/2003, referente à política de desenvolvimento de fontes renováveis. A expectativa é de que, finalmente, ela seja aprovada neste ano.

Enquanto isso, a energia solar e a eólica vão ganhando espaço até mesmo por iniciativas isoladas de quem acredita nessas fontes. Entre eles, o empresário cearense Fernando Ximenes, proprietário da Gram-Eollic. Ele desenvolveu um poste híbrido que produz sua própria energia, eficiente não apenas para a iluminação pública mas também para alimentar câmeras de segurança, radares e sensores, entre outros equipamentos. Em formato de avião, o sistema colocado no alto do poste capta tanto energia solar, por meio de células fixadas sobre as asas, como energia eólica, gerada por uma pá eólica. Uma bateria armazena a energia produzida. “Com o equipamento, podemos abastecer três postes com seis lâmpadas LEDs de, no mínimo, 50 mil horas de vida útil e oito vezes mais luminosas, dia e noite, com ou sem vento, com e sem sol”, garante Ximenes.

O empresário começou a desenvolver o invento em 2001, estimulado pelo racionamento de energia elétrica. No ano passado, o governador do Ceará, Cid Gomes, pediu para instalar um equipamento nos jardins do Palácio Iracema. Neste segundo semestre, o invento vai iluminar 360 postes da Avenida Max Lisboa, em Fortaleza. Ximenes também está negociando outros projetos pelo Brasil afora. Sua estratégia é instalar concessionárias em várias cidades para vender o equipamento. Segundo o empresário, o custo de um quilômetro de poste híbrido é menor do que o convencional, principalmente se for levado em conta que ele dispensa investimentos em transmissão e instalação de subestações. “Acredito que dentro de 10 a 15 anos as residências vão gerar sua própria energia a partir das fontes eólica e solar. É tudo uma questão de mudança de cultura, temos que quebrar paradigmas”, destaca.

Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), um grupo de pesquisadores busca desenvolver novos materiais para viabilizar pisos elétricos (piezoeletricos). Com a tecnologia é possível, por exemplo, gerar energia com a pressão que os carros exercem na passagem pelas rodovias. Não é ficção científica. Em Israel já existe um projeto piloto em um quilômetro de rua. Na Europa, as luzes de uma danceteria são geradas pelos passos dos próprios frequentadores. O físico Walter Sakamoto, pesquisador da Unesp, admite que serão necessários ainda muitos estudos para tornar a tecnologia viável comercialmente. “Mas é preciso começar agora. Lembro que em 1990, quando eu estava fazendo doutorado, a eficiência da energia solar também era muito pequena”, afirma Sakamoto. O desenvolvimento das fontes renováveis de energia tem mostrado que o futuro está logo ali.

Biogás de suínos

Os dejetos de suínos são fermentados em biodigestores, um tanque fechado que elimina a contaminação de solos e rios e a emissão de gases de efeito estufa, no caso o metano, 21 vezes mais poluente do que o dióxido de carbono (CO2). Só por isso o produtor já consegue uma receita extra com a venda de créditos de carbono. Mas o processo resulta ainda em biofertilizante de ótima qualidade para lavouras e pastagens. Além disso, produz biogás que pode abastecer desde fogões domésticos, dispensando a lenha, até um gerador de energia elétrica. Cada suíno produz, em média, 10 litros de dejetos por dia. Mil litros rendem 1.360 litros de biogás, que geram 0,4 kWh de energia.

Solar

Dados do Atlas Brasileiro de Energia Solar, publicado em 2006 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que o Brasil recebe mais de 2,2 mil horas de insolação por ano, um potencial equivalente a 15 trilhões de MWh, e muito maior do que o da Alemanha, país líder em geração de energia solar. O maior obstáculo ainda é o custo, mas a expectativa é de que ele se equipare às fontes convencionais em menos de dez anos. No mundo, existem atualmente 22 mil MW de energia solar instalados. A expectativa é de que o segmento cresça 40% em 2010. Além da Alemanha, destacam-se como grandes geradores de energia solar a Itália, o Japão e os Estados Unidos.

Eólica

Estima-se que o potencial eólico do Brasil seja de 143 mil MW, sem contar a zona marítima. Esse número tende a aumentar com a evolução tecnológica das torres. Atualmente, o País tem instalado 794 MW provenientes da força dos ventos, mas as expectativas de crescimento são bastante significativas. No 1° Leilão de Reserva para aquisição de energia eólica, realizado em dezembro, foram contratados 1.807 MW ao preço médio de R$ 148/MWh. Um novo leilão está marcado para agosto. O Plano Decenal de Energia – 2019, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério das Minas e Energia, prevê a instalação de 5,3 mil MW de eólica nos próximos dez anos.

Contato:

ABEEólica: (11) 3616-6402
Celesc: (48) 3231-5000
Centro Nacional de Referência em Biomassa/USP: (11) 3091-2655
Eletrosul: (48) 3231-7000
Gram Eollic: (85) 4118-0808
Granja São Roque: (49) 3533-0404
Heitor Scalambrini Costa/UFPE: (81) 2126-8000
Instituto Ideal: (48) 3234-1757
Projeto Alto Uruguai: (49) 3328-9310
Unesp: (18) 3743-1081


Conteúdo publicado no Revista Empreendedor


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