Reportagens sobre Varejo

21/12/2011 | 16:12

Foto: Divulgação | Uma maneira de desenvolver estratégias para a inclusão social e econômica e redução da pobreza e desigualdades que se iniciou na Europa há 50 anos, denominada comércio justo, começa a ganhar visibilidade no Brasil. Na prática, o comércio justo, ou fair trade – termo em inglês para o conceito –, é baseado no cumprimento de critérios de justiça e solidariedade nas relações comerciais. Estudos do Sebrae apontam que o cenário é bastante favorável tanto para a inserção de pequenos produtores no mercado internacional quanto para a criação de um mercado doméstico. Com a elevação do poder aquisitivo do brasileiro, há um potencial considerável a ser explorado na comercialização baseada em estratégias de comércio justo e solidário. “O País possui riqueza cultural e diversidade socioambiental. Porém, é preciso ampliar a base de empreendimentos solidários do País em variedades de produtos e quantidade. E mais crucial ainda será a preparação técnica e gerencial para aproveitar essas oportunidades, preparando-os para um mercado doméstico cada dia mais exigente e competitivo”, avalia Raíssa Rossiter, analista de atendimento coletivo em comércio do Sebrae Nacional.

Enquanto na Europa o comércio justo já deixa de ser um mercado alternativo para se tornar um nicho em potencial, por aqui os empresários estão aderindo gradativamente ao processo. Raíssa afirma que os empresários brasileiros de grandes empresas varejistas estão gradualmente aderindo ao tema, mas ainda de forma pontual e tímida. “Percebemos que, em geral, nas grandes redes varejistas existem espaços ainda limitados nas gôndolas e prateleiras para produtos de comércio justo e economia solidária”, observa. Mas mesmo diante desse cenário Raíssa se considera otimista e acredita que o processo vai se ampliar, principalmente pela perspectiva de um consumidor brasileiro mais atento às questões do consumo consciente e responsável, que vai cobrar mais das empresas essa demonstração de engajamento, na prática, com causas sociais e ambientais.

“O comércio justo só funciona quando a cadeia produtiva toda é beneficiada, é a lógica do ganha-ganha”, explica Ana Asti, fundadora da empresa de consultoria Parceria Social e diretora internacional da Organização Mundial de Comércio Justo (WFTO) representando a América Latina. Ela destaca que a relação entre os atores da cadeia produtiva é de parceria. Para isso existe a certificação que tem como objetivo rastrear toda a cadeia produtiva verificando de forma imparcial se todos os elos seguem os princípios do comércio justo. Raíssa enfatiza que esse processo assegura maior transparência e participação de todos os agentes envolvidos, contribuindo para uma distribuição equânime do ganho na cadeia produtiva.

O processo de certificação dos produtos passa por uma série de etapas incluindo auditorias de campo e estabelecimento dos indicadores de impacto. No caso de produtos que exigem industrialização, como uma camiseta que começa com o plantio do algodão, mas precisa de indústrias para fazer o fio e o tecido, exige-se que sigam os princípios da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Hoje, mais de 1 milhão de produtores e trabalhadores e aproximadamente 5 milhões de pessoas, distribuídos por 50 países, se beneficiam indiretamente do selo de comércio justo.



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