Quando a mãe faleceu, em 1980, o empresário Ênio Back fez um juramento: transformar a Back, empresa fundada por seus pais, Eulália e Sebastião, na maior prestadora de serviços de vigilância e terceirização de mão de obra de Santa Catarina. Quase 20 anos depois, ele sente a satisfação de quem conseguiu cumprir seu desafio com a ajuda dos irmãos. A Back é líder entre as empresas de serviços privados do estado e ocupa o primeiro lugar no segmento de vigilância eletrônica do Sul do Brasil. Com 6 mil funcionários atuando em mais de 100 cidades catarinenses, a meta da empresa é alcançar em 2009 um faturamento de R$ 120 milhões.
Filho homem mais velho, Ênio acompanhou de perto a trajetória da empresa, que em setembro passado completou quatro décadas. Ele tinha cerca de dez anos quando a mãe abriu uma firma individual, em 1969, com o propósito de prestar serviços de limpeza para agências bancárias de Rio do Sul, no Vale do Itajaí (SC). No início, ela mesma fazia a limpeza dos estabelecimentos com a ajuda de parentes. Mas logo foi preciso contratar funcionários para ajudar também na vigilância noturna de empresas da região. O negócio cresceu e o pai Sebastião assumiu a gestão em 1976. Antes disso, em 1973, a empresa ganhou um sócio, o empresário Gessi João Ricobom, que permaneceu na Back até 1984.
Ênio lembra com carinho do senso de empreendedorismo da mãe. Ótima cozinheira, às vésperas de Natal, Eulália preparava perus à califórnia para as famílias mais abastadas da região. Com o dinheiro que ganhava comprava presentes para os filhos e o marido. “Ela não queria depender financeiramente de meu pai e sentia satisfação em trabalhar”, conta Ênio. Ele perdeu a conta de quantas vezes acompanhou a mãe em seu trabalho como diarista. “Não existia creche na época, o que a obrigava a me levar junto. Para não fazer nada, eu ajudava com alguns serviços como a limpeza da grama e das calçadas”, conta o empresário. Ênio também lixava e pintava bicicletas na oficina de seu pai.
Mas como sua mãe, também queria sua independência financeira. Aos 13 anos foi trabalhar numa farmácia, onde começou como office-boy e chegou a balconista depois de passar por diversas funções. Ali ficou um ano e um mês, até o pai “arrancá-lo” para trabalhar na Back. “Ele não achava justo eu trabalhar para os outros, mas eu gostava muito do trabalho na farmácia. Foi meu primeiro emprego e onde aprendi a ter a visão de um empregado. Até hoje, quando discuto com um dos meus colaboradores, antes de sair, olho para trás e digo: ‘Não rogue praga para mim’. Meu chefe era muito severo, não podia nos ver parados, e lembro que o xinguei muito”, admite Ênio.
Sucessão
Na Back, Ênio foi trabalhar no escritório. Desde cedo também se acostumou a acompanhar o pai nas viagens pelas unidades instaladas em outras cidades da região. “Entre 1974 e 1979, a Back cresceu muito”, lembra. Em 1979, Ênio foi morar em Florianópolis para cursar Economia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Foi sua terceira opção no vestibular. A primeira, Odontologia, e a segunda, Direito, mostram que ele não pensava muito em suceder os pais no comando da Back. Mas o falecimento da mãe o fez assumir de vez a responsabilidade pelos negócios da família. “Meu pai sofria de enfisema pulmonar, e como filho homem mais velho pensei: agora quem terá que tomar conta da empresa sou eu.”
Desde então, Ênio dirige a Back em companhia de três dos seis irmãos: Écio, Hereleni e Esilda. Defensor de uma gestão compartilhada, o empresário costuma dizer que ele é quem menos manda na empresa. As decisões nunca são tomadas por uma única pessoa, mas por um grupo de gerentes e assessores que se reúnem todos os meses para avaliar o desempenho das metas e traçar novas estratégias. “Nesses anos todos aprendi que nunca devemos levantar uma bandeira sozinho. Traga pessoas para te ajudar”, ensina Ênio. Para o empresário, delegar funções é uma atitude sábia para qualquer empreendedor. “Estou dividindo os problemas também, a responsabilidade passa a ser de todos”, explica.
Com essa visão, aos 50 anos de idade, Ênio não teme pela sucessão na empresa. Como não teve herdeiros até agora e seus sobrinhos não manifestam interesse em sucedê-lo, o empresário acredita que seu substituto possa ser um executivo fora da família. “A sucessão será tranquila porque estamos prontos. Se eu fizer falta será na parte estratégica porque a casa já está mobiliada”, afirma. O empresário também não descarta parcerias como joint ventures com empresas nacionais e estrangeiras. “Se recebermos um convite dessas empresas que estão chegando ao Brasil, estaremos preparados”, destaca. Hoje a Back já tem parceria com empresas de outros estados para atender clientes em Santa Catarina.
A qualidade do atendimento é uma das maiores preocupações do empresário. A Back chegou a ter unidades no Rio Grande do Sul, no Paraná e em São Paulo, mas a gestão da empresa recuou ao perceber que não teria estrutura suficiente para prestar um bom serviço. “A experiência na Back e duas pós-graduações em marketing me deram uma visão muito ampla do consumidor. Hoje o mercado exige atendimento personalizado, ele sempre vai preferir contratar uma empresa que tenha presença física na região”, destaca Ênio. Além de 11 unidades instaladas estrategicamente nas principais cidades do estado, a Back tem vários pontos de atendimento em municípios menores.
Com essa estrutura, a empresa atende 20 mil clientes nas áreas de segurança, vigilância, mão de obra especializada e recursos humanos. Só no segmento de vigilância eletrônica, são mais de 13 mil pontos no estado. A marca Back é referência em terceirização de serviços. Uma situação bem diferente daquela do início da década de 1980, quando a segunda geração assumiu a empresa. Ênio lembra que ao vencer uma licitação da Assembleia Legislativa do estado, muitos concorrentes questionaram a instituição por escolher uma empresa “desconhecida”. Desde 2004, quando a categoria Empresa de Vigilância e Segurança foi incluída na pesquisa Top of Mind, o grupo é premiado como a marca mais lembrada no Estado de Santa Catarina.
Contato
Ênio Back: (48) 3281-3500