Voz da Experiência
30/10/2009 17:11
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Sonhador contumaz

por Cléia Schmitz
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História de Ozires Silva é um exemplo de dedicação abnegada ao empreendedorismo e à inovação

Foto: Lio Simas | Ozires na cabine de um Bandeirante reformado A palestra de um senhor prestes a completar 80 anos de idade poderia despertar pouco interesse em jovens estudantes não fosse o engenheiro Ozires Silva o orador em questão. Nascido em 1931, na cidade de Bauru (SP), é possível que Silva tenha um espírito mais inovador do que muitos daqueles futuros engenheiros mecânicos que foram ouvi-lo no dia 20 de agosto de 2009, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. Bem-humorado e com um currículo cheio de grandes feitos e boas histórias, as palavras do empresário funcionam como uma injeção de ânimo para quem está começando a vida profissional.

“O Brasil não tem o direito de ser pobre, temos que reagir”, destaca o engenheiro. Para ele, três chaves abrem as portas desse desenvolvimento: educação, inovação e empreendedorismo. “Hoje, o desenvolvimento de um país está centrado muito mais na competência do povo do que nas condições naturais. Vocês é que devem produzir a diferença competitiva de que precisamos”, conclama Silva. Ele tem moral para pedir atitude de uma plateia de estudantes prestes a entrar no mercado de trabalho porque foi exatamente o que fez quando jovem, ao liderar a criação da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), em 196

Foto: Lio Simas | Voo inaugural do primeiro Bandeirante, em 1968Não é de hoje que Silva questiona a posição dos produtos brasileiros no mercado mundial. Ele ainda era um adolescente quando em meados da década de 1940 uma dúvida martelava em sua cabeça: por que não fabricávamos aviões, como faziam os americanos, se tínhamos o mesmo tempo de história deles? A tradicional justificativa de que fomos colonizados por portugueses pobres em vez de ingleses ricos não o convencia de jeito nenhum. Duas décadas depois, já formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Silva integrava a equipe que desenvolveu o Bandeirante, primeiro avião brasileiro comercializado pela Embraer.

O empresário dirigiu a companhia desde a sua criação, em 1969, até o ano de 1986, quando foi convidado a ocupar a presidência da Petrobras, onde ficou até 1988. Quatro anos mais tarde, depois de uma passagem como ministro da Infraestrutura do governo Collor, retornou ao cargo de presidente da Embraer, permanecendo até 1995. Nesse período teve a missão de conduzir o processo de privatização da estatal, consolidado em dezembro de 1994. Silva não esconde o orgulho que sente ao ver a Embraer ocupar posição de destaque no cenário mundial. Em 40 anos de história, comemorados no último dia 19 de agosto, a empresa acumula uma produção de cerca de 5 mil aviões comercializados para 88 países.

“Mostramos que é possível construir uma companhia absolutamente competitiva, mesmo num país como o nosso. Hoje, a Embraer é uma multinacional, mas com uma diferença importante: a sede fica em São José dos Campos, no Brasil”, destaca o engenheiro. Silva cita ainda uma constatação feita pelo economista Paulo Rabello de Castro de que o faturamento registrado pela Embraer em 2007 era suficiente para pagar as despesas do ITA por 100 anos. Da instituição saíram e ainda saem muitos engenheiros que atuam na companhia. “Sem o ITA, a Embraer não existiria”, garante Silva.


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Comentários
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laura

lauras2geraldo@hotmail.com | 17/02/2010 04:02
parabens a revista pela reportagem e mais ainda ao sr Ozires pois prova que o melhor do mundo esta no brasil, ele concerteza é um exemplo a ser seguido seja qual a forma de empreendedorismo, apesar das dificuldades não deixemos nossos sonhos morrer

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